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Rio Total
14/06/2002 Número - 263

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A LUA E A SAPABELA

Ilustração de
Daniela Vasques
No brejo, o sapo brejeiro, enamorado que só ele, tentava, com seus boleros de
amor, conquistar a sempre tão distante e bela Lua.
Derramava ao luar a sua bonita voz.
Como se fosse o último romântico do século, tocava a sua viola e, bolerando,
bolerando, declarava seu impossível amor pela insensível Lua.
Escondida entre as folhagens, a Sapabela, entristecida, ouvia o sapo cantor e
suspirava.
- “Que pena que ele só pensa na Lua. Se ao menos lembrasse que eu existo!”
E o sapo a cantar desabafava!
- “Não adianta. A lua nem ouve os meus boleros. Serei sempre um sapo
solitário...”
E porque às vezes o amor está tão perto, mas a gente nem repara, o sapo
continuava sonhando com a distante Lua, dedicando-lhe seus apaixonados boleros
de amor, sem ao menos ouvir, atrás das folhagens, o coração palpitante da
Sapabela.
MARCIANO VASQUES é professor,
escritor e poeta.
marcianovasques@hotmail.com
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