Rio Total
11/10/2002
Número - 281


O SANFONEIRO E A CANTORA

Ilustração de Daniela Vasques


Enquanto vendia artesanato, o sapo, com seu desejo nato de fazer arte, por toda parte onde passava, lembrava da sanfona, dona da sua alegria, durante a noite ou durante o dia.

Nas horas livres tocava e cantava: no brejo, brejeiro, na porta, perto do porto, na lagoa, numa boa e, para felicidade dos moradores, na cidade, quando estava à toa, cantava amores.

Em ré, em fá, em dó, num tango, bolero ou forró. Em qualquer melodia, qualquer canção, trazia alegria ao coração.

Mas os amigos intrigavam:

- Esse sapo é vadio, fica tocando e cantando. Parece não ter ocupação. Ao invés de trabalhar, só pensa em cantar.

E lá estava entristecido o sapo sanfoneiro quando alguém se aproximou:

- Oi: vamos formar uma dupla?

- Quem é você?

- Adoro cantar e também não sou compreendida.

E assim surgiu a mais talentosa dupla de artistas: o Sapo e a Cigarra.


 


MARCIANO VASQUES é professor, escritor e poeta.
marcianovasques@hotmail.com