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Rio Total
15/11/2002 Número - 286

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AO SAPO E A CATACRESE

Ilustração de
Daniela Vasques
- Olá, Rospo. Fiquei sabendo que a usina de idéias do Sapoasno teve uma idéia
genial: plantar cogumelos gigantes no brejo. Para quê, Rospo?
- Para acabar com o desamparo.
- O que tem a ver cogumelos com isso?
- Elementar, cara Colibrã. Quando chover, os sapos desamparados ficarão embaixo
dos cogumelos.
- Vai funcionar?
- Não sei, mas sei que estou com uma dor na boca do estômago.
- Catacrese!
- Sabe que está vindo um pé de vento?
- Catacrese!
- Vamos até o braço do rio...
- Catacrese!
- Que eu vou procurar um botão de rosa para você.
-Catacrese!
- Você ficou biruta, Colibrã?
- Não. É que tem palavras que usamos no lugar de outras, que não existem...
Falando nisso, existe alguma catacrese para expressar como eu vejo a usina de
idéias do Sapoasno?
- Tem sim: Cabeça de vento. Pelo seu tom crítico, acho que está de acordo. Na
falta de uma palavra, você pode chamá-la assim.
- Cabeça de vento é catacrese?
MARCIANO VASQUES é professor,
escritor e poeta.
marcianovasques@hotmail.com
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