Rio Total
01/02/2003
Número - 300


A DESCOBERTA DO SAPO

Ilustração de Daniela Vasques



- Descobri!

- Descobriu o que, Rospo?

- Descobri o que estava coberto...

- E o que estava coberto?

- Estava coberto com o manto grosso da vaidade...

- Deve ser um cobertor bem forrado...

- Sim, Sapabela. É o cobertor do egocentrismo...E você sabe...

- Eu sei o que, meu amigo?

- Sabe o quanto é difícil administrar egos...

- Eu vejo por aí. Estou explodindo de curiosidade, diga logo o que você descobriu...

- A vaidade nos impede de ver...

- Claro, o cobertor. Talvez ele tenha uma função que desconhecemos...

- É?

- Talvez ele nos proteja do frio...

- Frio?

- É, o frio da visão objetiva, da visão cristalina, transparente sobre nós mesmos... A gente sempre se vê melhor do que somos de fato, e nunca estamos preparados para receber críticas, porque afinal aprendemos erradamente desde cedo que críticas sempre são destrutivas...

- Sapa! Você sempre me surpreende!!!

- Próprio do estilo.

- Estilo?

- Estilo de ser feminino, caro amigo. Mas, conte-me: afinal, o que você descobriu?

- Descobri que eu tenho que melhorar.

- E muito.

- Como disse?

- Brincadeira, Rospo. Você tem razão. O tal cobertor nos aquece com a vaidade, e pensamos que somos bons em tudo, entretanto, temos sempre que melhorar em alguma coisa ou em várias. Gostou?

- Sim, sim. É o estilo, não é?

 


MARCIANO VASQUES é professor, escritor e poeta.
marcianovasques@hotmail.com