Rio Total
28/02/2003
Número - 304


O SAPO E O SILÊNCIO

Ilustração de Daniela Vasques


Sapo na Internet quando ela chega.

- Sapabela: decidi ser escritor de Literatura Infantil.

- Ótimo, sapo, a infância necessita.

- Estou enviando mensagens e minhas criações para vários destinatários. São poetas, escritores...

- E todos respondem?

- A maioria fica em silêncio.

- E isso dói?

- Claro que não! É um grande incentivo.

- Quem não responde? E por que o silêncio?

- São intelectuais, poetas... Alguns andam em blocos, outros sozinhos...

- Por que agem assim, Rospo?

- É que pensam que assim anulam a minha existência. Se não falam de mim, é porque não existo.

- Então nem sempre a vida literária é um doce de letras ou um pote de versos...

- Se fosse um pote de versos, nem sempre seria melado...

- Sei, nem todos os versos são açucarados.

- É isso, Sapabela! Bem, deixe-me enviar outras mensagens...

- Para que, Rospo? E o silêncio?

- Ora, Bela: é divertido saber que a minha inexistência incomoda.
 


MARCIANO VASQUES é professor, escritor e poeta.
marcianovasques@hotmail.com