Rio Total
04/04/2003
Número - 309


O SAPO DE ALUGUEL



Lá vinha o Rospo com a placa pendurada no corpo: ALUGA-SE PARA POESIA.

A Sapabela estranhou: - Que placa de aluguel é essa, Rospo? E por que alugar para poesia? Uma coisa inútil que na prática para nada serve...

Com a provocação da amiga, Rospo reage.

- Não fale isso! A poesia tem muita utilidade. Aliás, por que tudo tem que ter utilidade?

- Ora, Rospo, precisa se apegar mais ao que tem serventia. Uma casa, por exemplo, é algo útil.

- A utilidade material da casa é tão importante quanto à poesia...

- Explique. E fale também sobre essa história de aluguel...

- A poesia precisa de uma morada.

- Sim?

- Então ela pode morar dentro de mim. Eu me ofereço para abrigá-la. Posso ser a sua morada, a casa da poesia.

- Entendi. A poesia pode morar em você, mas isso ainda não demonstra a sua utilidade.

- Simples. Com ela morando em mim eu melhoro. Essa é a sua utilidade: melhorar os que a carregam dentro de si.

- “Ele tem razão. É simples.”
 


MARCIANO VASQUES é professor, escritor e poeta.
marcianovasques@hotmail.com