Rio Total
24/04/2003
Número - 312


O SAPO E A FRUTA DE PLÁSTICO

Ilustração de Daniela Vasques



Rospo está pensativo e esquisito quando ela aparece.

- O que você está fazendo?

- Estou tentando comer uma fruta de plástico.

- Que história é essa, meu amigo?

- Verdade, Sapabela. Estou tentando comer esta pêra de plástico porque pretendo entrar no mundo da tecnologia.

- Confuso, Rospo, confuso. Melhor a gente ir com calma. Comer uma fruta de plástico, tecnologia...

- Exatamente. Pretendo entrar no mundo da arte virtual. Você sabe: hipermídia, ciberpoema, realidade virtual... Estou me sentindo como se comesse uma fruta de plástico.

- Arte na tecnologia. Você é contra o progresso?

- Jamais.

- Não dá para a gente fugir, Rospo. A coisa está aí e quer queiramos ou não, temos que conviver com ela. O conceito de arte está mudando, o conceito de autor como conhecemos também está passando por uma profunda transformação. É a maior revolução de todos os tempos!

- Sei, é a revolução tecnológica, a revolução da informática...

- Temos que conviver, meu querido. Acomodar nossas mentes ao que está acontecendo. Não vivemos fora do mundo.

- Adoro ir ao museu, sou apaixonado por bibliotecas... Nada substituirá o livro...

- Nem se trata de substituir, Rospo...

- Parece que sou de um outro tempo...

- Entendo o que acontece com você, porém no seu caso creio que precisa mesmo escolher uma fruta de plástico adequada...

- Como assim?

- Uma maior, um mamão talvez, uma jaca...


MARCIANO VASQUES é professor, escritor e poeta.
marcianovasques@hotmail.com