Ilustração de
Daniela Vasques
- Que espetáculo!!!
- “Pronto! O Rospo pirou!” – pensou a Sapabela, ao perceber o deslumbramento do
amigo.
- Rospo, não é por nada não, mas o que está acontecendo com você? Eu não estou
vendo nenhum espetáculo.
- Minha cara amiga. Refiro-me ao espetáculo do crescimento.
- O que está crescendo, meu Rospinho?
- Ora, não seja chata. Trata-se do espetáculo prometido para julho.
- Quem prometeu?
- O Sapoder, por isso estou tão entusiasmado.
- Rospo, eu sei que o espetáculo está nos olhos, assim é com o espetáculo da
natureza. Mas, nada vi desse tal espetáculo... E afinal, onde está o Sapoder?
- Viajando.
- Compreendo, mas julho já está quase na metade, e cadê o tal espetáculo, meu
deslumbrante amigo?
- Ora Sapa, pois eu tiro o boné...
- Tira ou põe?
- Tiro, e acredite, temos que aplaudir e ter paciência.
- “Pronto! Incorporou...” Escute aqui meu companheiro, paciência tem de sobra
aqui no brejo.
- “É a porção graúna dela, liga não. Acho que o Henfil sempre estará entre nós!”
- No que está pensando, Rospo? Ficou tão silencioso...
- Nada, nada, apenas que não se pode admirar um espetáculo do crescimento quando
se tem uma Sapabela por perto...
- Rospo: prometo solenemente jamais perder a paciência, mas, você tem certeza de
que está vendo mesmo algum espetáculo?
- Sabe, ele ainda não começou, mas se a gente continuar aplaudindo, ele chegará.
- “Impressionante! Não conhecia esse lado místico do Rospo!” Olhe aqui, meu
querido, se não vai acontecer, por quê ele falou? Prometer é coisa de campanha,
e aqui no brejo, governo é TS, trabalho e silêncio. Lembre-se sempre: o feito
fala.
- E então?
- Então você está genuíno, ou seja, está adequado. Pode continuar com o seu
deslumbramento, que tenho mais o que fazer...
MARCIANO VASQUES é professor,
escritor e poeta.
marcianovasques@hotmail.com