Ilustração de
Daniela Vasques
- Rospo, eu amo você!
- Qual é a fonte?
- Fonte?
- Sim, de onde jorram as suas palavras.
- Tem mais de uma fonte, Rospo?
- Sim, Colibrã, a boca é uma delas, por isso é costume se falar de “palavras da
boca pra fora”.
Sei qual é a outra fonte: o coração.
- Exato! Já ouviu alguém falar de “palavras do coração pra fora?”.
- Nunca! O difícil é chegar até ele.
- É mesmo, Colibrã, o coração está distante, lá no fundo...
- Não havia pensado que algumas palavras pudessem ser pronunciadas realmente
pelo coração.
- O cérebro é apenas o intermediário...
- Quando os anfíbios que se gostam brigam, dizem coisas horríveis...
- Tudo da boca pra fora, por causa da cólera, do descontrole emocional...
- Mas se ferem profundamente...
- Como se a fonte fosse o coração...
- Rospo: vou pensar bem nessa história das fontes.
- Mas, o que você dizia mesmo?
- Que... bem, estou encabulada...
- Viu? Quando você começa a pensar nas fontes, fica insegura!
MARCIANO VASQUES é professor,
escritor e poeta.
marcianovasques@hotmail.com