Rio Total
25/06/2004
Número - 374


O SAPO E A LIBÉLULA

Ilustração de Daniela Vasques



“Em uma coisa somos iguais!” falou o Rospo.

- Que é isso, sapo? Nós não temos nada a ver um com o outro - respondeu, indignada, a libélula, que continuou:

- Imagina-me tendo alguma coisa com bicho assim tão feio! Além do mais, sapo não voa, pula. E olhe como sou graciosa.

- Sim, as suas acrobacias aéreas são maravilhosas. Você é um encanto no ar, porém temos um detalhe em comum: uma vida dupla. Vivemos uma metamorfose em nossas vidas...

Como o Rospo insistia (um sapo nunca desiste), ela encerrou de vez o assunto:

- LIBÉLULA E SAPO não têm nada em comum e está decidido!

E ele, entristecido, após olhar as acrobacias da vaidosa, se dirigiu à lagoa, onde se pôs a observar girinos a nadar.

Na madrugada, sem conseguir dormir, viu um estranho bicho sair das águas e se agarrar aos galhos de uma árvore. Era a Náiade.

Curioso, acompanhou a transformação da criatura. Ao ver surgir do rompimento da sua pele um inseto, azulado, que não tardou em voar, exclamou:

- Será que ela também esquecerá da sua vida aquática?

 


MARCIANO VASQUES é professor, escritor e poeta.
marcianovasques@hotmail.com