Ilustração de
Daniela Vasques
“Em uma coisa somos iguais!” falou o Rospo.
- Que é isso, sapo? Nós não temos nada a ver um com o outro - respondeu,
indignada, a libélula, que continuou:
- Imagina-me tendo alguma coisa com bicho assim tão feio! Além do mais, sapo não
voa, pula. E olhe como sou graciosa.
- Sim, as suas acrobacias aéreas são maravilhosas. Você é um encanto no ar, porém
temos um detalhe em comum: uma vida dupla. Vivemos uma metamorfose em nossas
vidas...
Como o Rospo insistia (um sapo nunca desiste), ela encerrou de vez o assunto:
- LIBÉLULA E SAPO não têm nada em comum e está decidido!
E ele, entristecido, após olhar as acrobacias da vaidosa, se dirigiu à lagoa,
onde se pôs a observar girinos a nadar.
Na madrugada, sem conseguir dormir, viu um estranho bicho sair das águas e se
agarrar aos galhos de uma árvore. Era a Náiade.
Curioso, acompanhou a transformação da criatura. Ao ver surgir do rompimento da
sua pele um inseto, azulado, que não tardou em voar, exclamou:
- Será que ela também esquecerá da sua vida aquática?
MARCIANO VASQUES é professor,
escritor e poeta.
marcianovasques@hotmail.com