Ilustração de
Daniela Vasques
- Que lindo!
- Gostou?
- Adorei. Não sabia que você era bailarina. Desde quando?
- Desde quando o quê, Sapabela?
- Desde quando você é bailarina?
- Espere um pouco, minha querida, eu não sou bailarina desde sempre. Eu me fiz
bailarina.
- Fale um pouco sobre isso...
- Eu fui me lapidando. Ser bailarina é questão de treino e treino. A minha
lapidação é resultado da minha persistência.
- Entendi.
- Você sempre entende tudo, minha amiga.
- Questão de treino, persistência.
- Não entendi.
- É o aprendizado do ouvir. Com o passar dos anos fui lapidando a minha atenção,
e de tanto adquirir o gosto pelo ouvir, acabei “entendendo tudo”.
- Exatamente. Assim aconteceu comigo. Eu não era uma bailarina. Eu virei uma.
Agora posso dizer que adoro bailar ao som melodioso de um violino. Mas foi tudo
uma questão de teimosia.
- Bastou o querer?
- Não! Bastou o seguinte: eu quis e eu fiz.
- Colibrã, como é bom ter uma amiga bailarina.
- Como é bom saber que alguém nos ouve!
E assim as duas acabam se abraçando, como se estivessem ao som de um violino.
MARCIANO VASQUES é professor,
escritor e poeta.
marcianovasques@hotmail.com