Rio Total
30/04/2005
Número - 418


COLIBRÃ É BAILARINA

Ilustração de Daniela Vasques


- Que lindo!

- Gostou?

- Adorei. Não sabia que você era bailarina. Desde quando?

- Desde quando o quê, Sapabela?

- Desde quando você é bailarina?

- Espere um pouco, minha querida, eu não sou bailarina desde sempre. Eu me fiz bailarina.

- Fale um pouco sobre isso...

- Eu fui me lapidando. Ser bailarina é questão de treino e treino. A minha lapidação é resultado da minha persistência.

- Entendi.

- Você sempre entende tudo, minha amiga.

- Questão de treino, persistência.

- Não entendi.

- É o aprendizado do ouvir. Com o passar dos anos fui lapidando a minha atenção, e de tanto adquirir o gosto pelo ouvir, acabei “entendendo tudo”.

- Exatamente. Assim aconteceu comigo. Eu não era uma bailarina. Eu virei uma. Agora posso dizer que adoro bailar ao som melodioso de um violino. Mas foi tudo uma questão de teimosia.

- Bastou o querer?

- Não! Bastou o seguinte: eu quis e eu fiz.

- Colibrã, como é bom ter uma amiga bailarina.

- Como é bom saber que alguém nos ouve!

E assim as duas acabam se abraçando, como se estivessem ao som de um violino.

 


MARCIANO VASQUES é professor, escritor e poeta.
marcianovasques@hotmail.com