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Helga Szmuk
Mas Darwin e
Wallace mostraram que há outra maneira tão humana
e tão bonita, mas muito mais lógica: a seleção
natural; a música da vida é muito mais bonita com
a passagem do tempo. Os fósseis mostram: "trial or
error", uma impossibilidade de prever o futuro. Parte da resistência da humanidade em compreender esse fenômeno é nossa dificuldade de imaginar um milênio, os ions. Que significam 70 milhões de anos para seres que vivem somente um milionésimo desse tempo? Nós somos as borboletas que voam por um dia e pensam que é para sempre.
Colecionou tantas amostras que o comandante falou:
"Ele queria afundar o barco." Quando o Beagle alcançou o Pacífico Sul, Darwin já tinha 4 anos de experiência e se sentia mais seguro em interpretar as observações em teorias. Começou a ter sua própria opinião sobre as origens dos atóis de corais.
A beleza dessa teoria consiste em descobrir que o processo é lento e gradual. Corais vivos precisam de luz solar, não podem viver em grandes profundidades. Se a ilha tivesse desaparecido de repente (como a teoria de "catastrofismo" queria) o coral teria sido jogado na profundidade do oceano antes que tivesse tempo de se desenvolver.
Quando Darwin voltou para casa, seu pai exclamou: "A cabeça de Charles mudou!" Ele percebeu que, além do aspecto físico da cabeça, também muita coisa mudara dentro dela. Darwin era preguiçoso, não se interessava por nada. "Você será uma desgraça para você mesmo e para sua família" - o pai falava antes. "Eu descobri que o
prazer de observar e raciocinar é maior do que a
habilidade no esporte ou numa profissão"
falava Darwin. Antes da viagem, ele ainda acreditava na "oração"; não duvidava uma única palavra da Bíblia. Mas voltou com muitas dúvidas, pois viu que a terra mudava constantemente, e ele tinha dúvida se as espécies também mudavam dando existência a novas espécies. Evolução não era novidade para ele. Seu avô Erasmus Darwin escreveu o livro "Zoonomia". Lera, também o livro do evolucionista Jean Babtista de Lamarque, que achava que experiências de um indivíduo podem ser transmitidas para sua prole. Cavalos ficam mais fortes a cada geração, através das corridas. O pescoço das girafas fica mais comprido por causa do esforço de alcançar as folhas. Essa teoria era muito bonita; assim, pais que trabalham duro, sem vícios, vão ter filhos iguais. Mas não prova como novas espécies surgiram. A
contribuição de Darwin não era simplesmente o
argumento que a vida evoluiu - ele nem gostava da
expressão "evolução" - mas, melhor: o
mecanismo de como surgiram novas espécies.
A primeira tem a ver com
variação. Cada membro de uma certa espécie é
diferente; hoje diriam que tem uma
característica genética. Segunda premissa: todos os seres vivos produzem mais descendentes do que o habitat pode suportar. É um mundo cruel, onde somente uma pequena fração de lobos, de tartarugas, de borboletas, chegam à idade de reprodução. Na combinação de fecundidade ilimitada com a limitação dos recursos, Darwin achou o mecanismo que age constantemente em eliminar muitas variações, preservando somente aqueles que conseguem sobreviver e capazes de reproduzir, o que conduz à terceira premissa. A diferença entre os indivíduos, junto com pressão ambiental, dá a possibilidade de passar suas características genéticas para futuras gerações. A isto ele chama "seleção natural". Traças brancas sobrevivem melhor na neve para serem protegidas contra pássaros predatórios. Assim, somente os mais aptos sobrevivem. Quando situações climáticas mudam repentinamente, esses mais aptos podem ser não mais aptos e desaparecem. Darwin concluiu: Seleção natural conduz a novas espécies, o mundo está em constante mudança, a natureza favorece a variedade. Durante a modificação dos descendentes de qualquer espécie e durante a luta incessante de todas as espécies para se multiplicaram, quanto mais diversificado o descendente se torna, maior será sua chance de sucesso na batalha para a vida. Darwin fez o esboço de 1839 até 1844, mas não o publicou. Ele pedira que fosse publicado após sua morte. Ele se casou, teve filhos, viveu no campo, e por 15 anos sua obra foi mantida em segredo. Por quê? Como Copérnico e Newton, por medo da igreja. Seu filho falou que ele sempre foi doente; ninguém sabia qual era a doença, que se manifestava com vômitos, dor de cabeça, fraqueza. Falaram até que era conflito interno, dele como católico e sua descoberta. Ele se achou um assassino: matou Adão. Ele sabia que não tinha prova para mostrar, pois não sabia ainda o que era o "gene". Só em 1866 o gene foi descoberto, mas Darwin já estava morto.
Foi sorte para a humanidade Darwin ter deixado os detalhes monótonos, indo direto ao assunto que revolucionou o mundo, com o livro "A origem das espécies por meio de seleção natural". Para tudo isso, precisa-se de tempo, muito tempo mais do que todos as religiões ensinaram. A descoberta dos genes e o avanço do termo dinâmica provou tudo isso, mas só depois da morte de Darwin. O cosmos pode ser
densamente povoado com seres inteligentes. Mas a lição
Darwiniana é clara: Não haverá seres humanos
em outra parte, somente aqui. Só neste pequeno
planeta. Nós somos uma rara, bem como uma espécie
vulnerável. Cada um de nós é na perspectiva cósmica
muito precioso.
Texto
de
Helga
Szmuk, astrônoma amadora
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