Helga Szmuk
  

Só dois terços da população mundial podem ver estrelas

 

A contemplação de um céu estrelado é um espetáculo do qual estão privados dois terços da população mundial e até 99% dos habitantes da América do Norte e Oeste europeu, devido à crescente poluição, segundo um estudo que será publicado em uma revista britânica de astronomia. Reunidas no primeiro Atlas mundial da claridade noturna artificial (First World Atlas of Artificial Night Sky Brightness), estas estatísticas dão pela primeira vez uma quantificação do fenômeno da poluição visual no mundo.

O estudo foi conduzido em forma conjunta por Pierantonio Cinzano e Fabio Falchi, dois pesquisadores da universidade italiana de Pádua, e pelo norte-americano Chris Elvidge (National Geophysical Data Center, de Bulder, Colorado). O trabalho, que será publicado na revista mensal da Royal Astronomical Society, vai muito além das imagens da Terra de noite. Está baseado em dados colhidos entre 1996-97 por satélites de meteorologia da Força Aérea norte-americana.

Os pesquisadores calcularam como a luz artificial se propaga na atmosfera e estabeleceram mapas onde mostram a amplitude e a gravidade da poluição visual no mundo. Assim demonstraram que  zonas que aparecem escuras em imagens captadas pelos satélites de noite na realidade foram poluídas pelas iluminações provenientes de regiões vizinhas. "Grande número de pessoas em muitos países tem uma visão totalmente errada do que deve ser um céu noturno. Nosso Atlas se refere à situação de 1996-97. A situação é sem dúvida pior atualmente", comentou Cinzano.

Segundo as conclusões da equipe de pesquisadores "nas regiões onde se concentram 97% da população norte-americana, 96% dos habitantes da União Européia e a metade da população mundial, o céu é tão claro de noite como em um contexto onde a lua crescente fosse visível partindo de um muito bom local de observação (onde o ar fosse seco e transparente)". "E para muitos, o céu (noturno) é tão luminoso como nas situações onde a lua cheia é iminente", prossegue o estudo.

"A noite jamais aparece realmente nessas zonas e o céu é sempre tão claro como em um crepúsculo marinho". Mais de dois terços da população dos Estados Unidos, metade da população européia e um quinto da população mundial não têm nenhuma possibilidade de contemplar a Via Láctea a olho nu no firmamento. Os mapas podem ser consultados, em inglês, no site http://www.lightpollution.it/dmsp/ 

   

Texto de Helga Szmuk, astrônoma amadora

  

                   

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Editoria e Direção
Irene  Serra