Wilhelm Herschel nasceu em
Hanover, em 1738, e aos 14 anos de idade seguiu os passos de seu
pai, ingressando no serviço militar. Sem maiores habilidades bélicas,
Herschel integrou-se à banda. Em 1757, procurou refúgio na
Inglaterra, fugindo da violência da Guerra dos Sete Anos, e lá
se instalou no vilarejo de Bath.
Após alguns
anos de muita pobreza, seus dotes musicais lhe proporcionaram um
cargo como organista da igreja local. Seus estudos musicais o
levaram à Matemática e esta à Astronomia.
Não demorou
para Herschel tornar-se um hábil construtor de telescópios. Na
segunda metade do século XVIII, era de Herschel o maior telescópio
refrator do mundo.
Sua habilidade natural para manusear o equipamento, sua paciência
quase sem limites e sua disposição incomum de passar as noites
em claro o levou a uma grande descoberta: o planeta Urano.
Naquela época,
eram seis os planetas conhecidos do Sistema Solar: Mercúrio, Vênus,
Terra, Marte, Júpiter e Saturno. Herschel foi o primeiro a
descobrir um novo planeta.
Como a maioria das descobertas, essa se deu por acaso. Herschel
tinha um grande interesse em Cosmologia, e passava noite após
noite vasculhando o céu na tentativa de achar alguma ordem no
Universo. E eis que na noite de 13 de marco de 1781, suas
constantes observações o fizeram apontar o telescópio para a
constelação de Gemeos.
Ali ele
encontrou um objeto celeste que muitos astrônomos já haviam
visto e que para eles era uma tênue estrela. A qualidade do
instrumento de Herschel permitiu que ele notasse algo de
diferente. Aquele astro definitivamente não era uma estrela.
Primeiramente ele pensou se tratar de um cometa. Mas um
acompanhamento de sua órbita provou tratar-se de um planeta.
Herschel sugeriu o nome de Georgium sidus, estrela de George,
uma homenagem ao rei George III. Mas o astrônomo alemão Johann
Bode fez valer sua vontade, batizando o planeta recém-descoberto
de Urano.
Há 220 anos, o
Sistema Solar crescia para os habitantes da Terra.
Alexandre Cherman, Fundação
Planetário do Rio de Janeiro