Helga Szmuk:
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Uma vida de contrastes
e de
histórias interessantes

 

Helga Szmuk


Albert Einstein

"Uma coisa eu aprendi na minha vida longa:
Toda nossa ciência comparada com a realidade é primitiva e infantil, mesmo assim é a coisa mais preciosa que nós temos."


Einstein nasceu em Ulm, em 1879, no mesmo lugar onde tempos atrás Kepler procurara um editor para publicar o trabalho dele.

Um menino de caráter forte mas sonhador, não sabia pronunciar uma única palavra com 3 anos de idade.

Ele se rebelou contra a autoridade, um hábito que deixou seus professores desesperados.
Com 16 anos ele largou o ginásio em Munique,  onde o professor de Grego lhe falou: - Você nunca será alguma coisa na vida!

Ele não passou no vestibular e foi obrigado a fazer um ano de "cursinho", formando-se em 1900 na Politécnica, em Zurique, com notas não muito boas. Ele faltou muitas aulas e preferia tocar violino e passear no lago de Zurique, em um veleiro, junto com sua namorada Mileva Maric, uma das poucas alunas da Politécnica.

Ele não achou emprego como cientista, nem como professor de ginásio. Deu aulas particulares, pondo um anúncio em que dizia que a primeira aula  seria de graça. Finalmente, um emprego como Técnico Especializado em Patentes, num escritório para patentes.

Casou-se com Mileva e tiveram 2 filhos. A primeira filha, que nasceu antes do casamento, morreu. O segundo filho nasceu em 1904 (Ele esteve no Brasil na inauguração do Hospital Albert Einstein).

Ele não era muito bem informado sobre o progresso da ciência porque a biblioteca já estava fechada depois que ele deixava o trabalho. Einstein era indiferente às convenções e fácil de dar risadas. Na festa de aniversário de Calvin, onde todo mundo vestia smoking, ele usava uma calça velha e camisa amarrotada.
Um senhor que olhava para ele, perguntou: - Você pode imaginar o que Calvin ia dizer vendo isso?
Einstein respondeu: - Sim, ele ia nos cremar  por causa da gula.

Mas, em 1905, seus pensamentos começaram  a se cristalizar e no mesmo ano ele publicou 4 trabalhos, que transformaram a ciência. Um deles, 3 dias após completar 26 anos, deu a base para a "Quantum Physics". Um outro mudou o percurso  do Atom Physics  e mecãnica estática. Os outros 2 deram o inicio da "Special Theory of Relativity".

Quando Max Planck leu seu conteúdo, soube que uma nova era tinha começado. Era o fim da era Newtoniana e uma nova ciência nasceu.

Quando criança, Einstein era religioso. Ele mesmo compôs canções em louvor a Deus. Mas, como ele se lembrou anos mais tarde: Eu recebi o segundo milagre da minha vida, mas totalmente diferente: Um livro sobre geometria. A interseção das 3 altitudes de um triangulo numa parte comum pode ser provada com toda a certeza. Essa certeza me impressionou tanto que é indescritível. O paraiso  religioso da minha juventude que se perdeu era uma "corrente" meramente pessoal de uma existência de desejos, esperanças e sentimentos primitivos. Além disso, existe o mundo imenso que existe independentemente de nós humanos. O Universo como um grande enigma, mas parcialmente acessível à nossa inspeção e pensamento. O caminho para lá não é tão fácil e confortável como o caminho do paraíso da religião, mas muito mais confiável, e eu NUNCA me arrependi de ter escolhido esse caminho. Observações diretas de fatos sempre tiveram uma atração mágica para mim.

A odisséia intelectual de Einstein que o conduzia  na "special theory of relativity" até a "general  theory"  começou quando ele tinha 5 anos de idade. Ele perguntara ao pai porque a agulha da bússola sempre aponta para norte. O pai respondeu que a Terra tem um campo magnético que atrai a agulha. Um milagre! Uma força misteriosa deve estar atrás das coisas.

Um matemático que trabalhava com Einstein, Ernst Strauss, contou: Um dia eles trabalharam e precisavam de um clip (prendedor de papel), mas somente acharam um que era torcido. Eles procuraram uma ferramenta para consertar, abrindo diversas gavetas e de repente acharam  uma caixa cheia de clips. Novos. Mas Einstein endireitou o clip defeituoso (isso me lembra do desperdício de tantas pessoas!)

Einstein batalhou através da complexidade da curvatura do espaço e do tempo. Agora que já era reconhecido como cientista, recebeu uma posição como professor na universidade de Berlim e trabalhou na quantum physics, mas sempre se voltava para o enigma da gravidade, procurando uma fórmula bonita e simples. Ele foi obrigado a abandonar a coisa mais preciosa para ele, a "special theory". Nunca mais trabalhou tão duro na vida como nessa época. Nunca na história existiu um trabalho tão árduo e heróico do intelecto como o caminho de Einstein para a general relativity e nunca ninguém recebeu um reconhecimento maior. Ele completou  a teoria em 1915 e a publicou na primavera seguinte. Apesar de as equações serem complexas, são muito simples.

A força da gravidade desaparece e é substituída pelo espaço próprio. A matéria curva o espaço. Os planetas "escorregam" dentro da parede interna do espaço, criado pelo sol massivo. Aglomerações de galáxias ficam numa depressão como bolachas  num prato fundo.

A dilatação do tempo: Um astronauta viajando em 90% da velocidade da luz ficaria 50%  menos velho! A Nasa "ameaçou" os astronautas de cortar uma fração de um centavo do salário deles por causa do decrescimento do tempo que eles passaram no espaço!

Relatividade abraça não somente espaço e tempo, mas matéria também. Eletromagnetismo é a força que segura os elétrons na sua órbita, que segura átomos a formar moléculas, que segura estrelas, galáxias e tudo que existe. A inércia da massa aumenta quando absorve energia e perde quando irradia. Massa e energia são relacionadas; a energia é igual massa.inércia

                        E = mc2

Matéria é energia "congelada".

A primeira palestra sobre relatividade foi dado por Einstein em Zurique, mas não numa universidade, e sim num sindicato de carpinteiros!
Depois de falar por mais do que uma hora, ele perguntou: Que horas são? Ele não tinha relógio.
Nesse dia ele deu os fundamentos de  "Espaço-Tempo", mas ele não possuía relógio.

Físicos e artistas (Heisenberg falou: físicos e outros artistas) precisam ter sentimento de beleza, sentir uma fórmula não somente pelos números, mas a simplicidade e beleza com que a natureza nos presenteou. Dirac falou: Beleza é fundamental e se as observações não confirmarem os cálculos, nao desanime, espere um pouco até você descobrir um erro na OBSERVAÇÃO!

O mundo científico esperou o veredicto com observação. Um eclipse total do sol no dia 29 de maio de 1919, em Sobral, no Brasil. O sol se posicionou na frente das estrelas da aglomeração dos Hyades. Durante uma sessão na academia Royal em Londres foi lido o veredicto: Os raios de luz vindos da aglomeração eram desviados exatamente no grau que fora calculado pelo Einstein. Ele recebeu um telegrama de congratulação, mas não mostrou nenhuma euforia ou surpresa, falando simplesmente: "Se não tivessem confirmado, então Deus errou!" Ele ainda falou (brincando) que Max Planck não era um bom físico, porque foi para Brasil para confirmar, mas Einstein ficou em casa dormindo, tanta certeza ele tinha.

Ele falou: O que eu queria saber mesmo é se Deus tinha escolha criando o mundo? Uma vez provados e reconhecidos, os resultados  parecem simples. Qualquer estudante de ginásio  entende isso. Mas a pesquisa no escuro, por anos a fio, para conhecer a verdade, o desejo imenso de chegar lá, os momentos de confiança e fracasso até conseguir chegar à luz da clareza, esse sentimento conhece somente a pessoa que já viveu isso: Albert Einstein.

 

Helga Szmuk,
astrônoma amadora

 

Revista Rio Total

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