Ano 13 - Semana 671



 

19/2: Aniversário de Nascimento do Nicolau Copérnico

 


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  13 de fevereiro, 2010
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 Helga Szmuk

Nicolau Copérnico


Aristarco de Samos já acreditava num universo heliocêntrico 300 anos depois de Pitágoras e 1800 anos antes de Copérnico. Ninguém acreditava em Galileu, Bruno, e Copérnico.
Aristarco sabia, observando um eclipse, que o Sol é maior do que a Terra, então é mais lógico que a Terra girasse ao redor do Sol e não o Sol ao redor da Terra.

Nicolau Copérnico (Nikolas Kopperlingk) nasceu em Thorn, na Polônia, em 19 de fevereiro de 1473.
Em Cracov, com o nome de Kopernicus, estudou grego, latim e leu muito sobre Arquimedes. Depois, mudou seu nome de Kopernicus para Copernicus.
A prensa foi inventada 30 anos antes dele. Como Aristóteles, adorava livros, mas ao contrário deste, não precisava  mais ser rico para poder ler. Agora, não só os privilegiados, mas quase todo mundo já poderia comprar livros, e mais e mais gente aprendeu a ler. Quando ele tinha 30 anos, de 6 até 9 milhões de cópias de 35.000 títulos haviam sido publicados. E ele os devorava.

Galileu chamava Copérnico "o restaurador e redescobridor do sistema heliocêntrico" e não o inventor. Se a Terra não é o centro do universo, então as outras estrelas que também são como o Sol, também podem ter planetas. Se a Terra se move, então os outros planetas também se movem. Isto era complicado e implicava com os ensinamentos da igreja. Mas a Terra se move!

Copérnico era estudante da universidade de Cracov quando Colombo chegou às Américas (Índia); ele tinha 49 anos quando Magalhães circum-navegou a Terra. Mas sua mente alcançou o céu, e ele imaginava a Terra como um navio navegando no espaço, o que ninguém sonhava deste Aristarco de Samos.

Costumava trabalhar sozinho, observando o céu a olho nu (a luneta astronômica só seria inventada um século mais tarde).
Em 1530, já se dedicando inteiramente à Astronomia, termina sua grande obra, De revolutionibus orbium coelestium (Sobre as revoluções das esferas celestes), onde afirma que a Terra gira em torno de seu próprio eixo uma vez por dia e viaja ao redor do Sol uma vez por ano.

Nascia assim o sistema heliocêntrico, uma idéia fantástica para a época. No tempo de Copérnico, papas, imperadores e o povo em geral tinham como certo que a Terra estava absolutamente parada no centro do Universo, e ao nosso redor desfilavam todos os corpos celestes. Também não eram poucos os que acreditavam que a Terra era chata. E desafiar tais crenças poderia ser considerado heresia

DE REVOLUTIONIBUS, o livro que, em sentido figurativo, fez a Terra girar ao redor do Sol, deixou de ser publicado por 20 anos, por medo da Igreja. Em seu leito de morte as primeiras páginas apareceram. O livro sobreviveu a ele, igual ao de Charles Darwin, "A Origem das Espécies", 300 anos mais tarde.

Mesmo assim,  o Revolutionibus foi indexado e declarado livro proibido pelo papa. Apesar do erro que a trajetória é um círculo perfeito - que Kepler corrigiu - o que mais o ajudou foi a natureza:  eram 2 cometas e 1 novae, durante a vida de Tycho, Kepler e Galileu.

 


O orgulho humano sofreu um duro golpe com o sistema de Copérnico, e mesmo anos após sua morte, durante o processo de condenação a Galileu em 1616, a Igreja colocou a obra de Copérnico na lista dos escritos proibidos, condição a qual permaneceu até o ano de 1835, ainda que cento e cinqüenta anos antes já tivesse sido reconhecida como verdadeira.

Desde Aristóteles, era como certo que o céu nunca muda. Ele media as distâncias dos planetas com um erro de 5%. Copérnico nos deu uma primeira prova da imensidade  do espaço. Prova de coragem, ele defendeu o que achou certo, apesar das aparências. Nós ainda falamos do "pôr-do-sol". Einstein falou 500 anos mais tarde: é mais fácil quebrar um átomo  do que tirar crenças e superstições das cabeças das pessoas.


Texto de Helga Szmuk,
astrônoma amadora



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