Ano 9 - Semana 477


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20 de maio, 2006
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 Helga Szmuk
 

Cristóvao
Colombo


O despertar do sonho de mais de 1000 anos, ao qual nós chamamos  Renascença, tem muito a ver com curiosidade ligada à informação - e não à superstição - e ao desejo de conhecer tudo sobre o planeta Terra e além, assim como o desejo econômico.

Marco Polo, com suas histórias sobre as maravilhas do oriente, deu um impulso para achar um caminho via oeste.
A navegação, usando a astronomia como guia, já existia há milhares de anos antes de Colombo e Magalhães.
Jazão, o Argonauta, os nativos da Austrália e nova Guiné navegaram os oceanos  há muito tempo, usando as estrelas como guia.

Virgílio descreveu as viagens e finalmente avistou a ITÁLIA. Paolo dal Pozzo Toscanelli, astronômo, escreveu para Colombo: Vale a pena viajar para o Oriente, onde há  muita riqueza, prata, ouro, etc, mas o mais importante: há muitas pessoas cultas e muito para se aprender.

Jazão, o Argonauta

Isto também inspirou Colombo. Para convencer a rainha Isabel, ele usou diversos argumentos, mas não o que a Terra fosse redonda, pois isto todo mundo já sabia.
Tentou mostrar-lhe que o planeta Terra era menor do que suas verdadeiras proporções, usando um subterfúgio: aumentando o tamanho da Ásia e diminuindo o tamanho do oceano, fez parecer que a circum-navegação da Terra seria mais rápida do que os três anos que, na realidade, levaria.
Outro subterfúgio usado para convencer a rainha foi de que a Terra tinha a forma de uma pêra, sendo mais estreita ao norte, o que fez com que todo mundo o considerasse um louco.

Por que a persistência de Colombo em fazer a viagem? Pode ser que ele soubesse das histórias dos marinheiros que viajaram na costa oeste da África e avistaram alguma terra da América do Sul, ou ele ouvira falar do Vicking Leif Ericson (o verdadeiro descobridor da América) quando ele visitou a Islândia, com a idade de 26 anos.

Finalmente a rainha concordou e ele saiu, em 1492. Acertou  o relógio ampulheta (com erro), e navegou (certo) observando o compasso. Ele fez correções do norte magnético com  a estrela Polaris nas suas viagens no extremo oeste-leste. Polaris estava 3º3' do pólo norte (hoje é menos de 1º).

Uma vez decidido  a viajar, nada deste mundo poderia detê-lo. Nem mesmo a fome, motim ou inimigos, pois sua mente e olhos mantinham-no para o oeste.
Foi a América que salvou a sua vida, pois, se não fosse o continente americano (que ele pensava ser a Ásia) certamente iria morrer como muitos antes dele.

No dia 12 de outubro de 1492, Rodrigo de Triano - observando a estrela Deneb se pondo no horizonte - avistou TERRA! Os índios que viam os três navios gritaram: gente vindo do céu! Eles não usavam armas e Colombo pedia aos seus homens tratá-los com amor. Mas negócio é negócio e logo muitos deles foram levados de volta acorrentados.



Nas viagens subseqüentes, ele foi do paraíso ao inferno: fome, sede, inimigos e uma dúvida enorme sobre o tamanho da Terra.
Ele previu um eclipse - então ele sabia a longitude.
Seu corpo torcido pela artrite, a mente cheia de duvidas: mas lá tem ouro, muito ouro! Porém, Colombo morreu pobre.

Depois dele, Magalhães descobriu o caminho para o oriente, mas morreu antes de completar a circum-navegação. Em seu diário ele dizia que nunca mais alguém se aventuraria a circum-navegar a Terra.

O mundo velho ganhou muito ouro, mas o lucro maior foi o conhecimento. Escolas de navegação  foram criadas, cartas geográficas, astronomia, navegação pelas estrelas. Mesmo as pessoas do continente também começaram a estudar. Em 1600 a terra conhecida dobrou de tamanho. Eles começaram  a abrir o horizonte até o cosmos. Não existia mais "em cima" e "em baixo".

Leonardo da Vinci tinha 40 anos quando Colombo chegou à América e escreveu: Se você fosse à Lua, olhando para a Terra poderia ver as mesmas coisas, vales, montanhas, etc.

Em 1506, no dia 20 de maio, falecia um dos maiores navegadores da história.

Depois de Colombo a grande aventura do homem é viajar e conhecer o Cosmos, nossa origem.


Texto de Helga Szmuk,
astrônoma amadora



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Direção
Irene Serra

IRENE SERRA
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