"Observações
sempre incluem teoria"

Edward Hubble

 

Durante todo o século 19 as opiniões sobre nebulosas elípticas ou espirais foram duvidosas. A idéia de Kant era que nosso Sol é uma estrela entre muitas dentro da nossa galáxia, que é uma entre muitas outras. A outra teoria era que os outros são nebulosas que formam estrelas. Em ambas existem as galáxias e as nebulosas. A observação era mais a favor de nebulosas.

O segredo foi resolvido não pelo telescópio, mas pelo espectroscópio. A hipótese que espirais nebulosas são galáxias só pode ser confirmada se a espiral pode ser resolvida em estrelas. Esse passo importante foi realizado em 1924 por Edwin Hubble. Ele tirou  centenas e milhares de fotos do M33 e M31, a galáxia Andrômeda e provou que consiste  de milhares de estrelas. Mas não ficara provado ainda que esses pequenos pontos de luz eram estrelas. Cepheides são estrelas variáveis, muito luminosas e podem ser vistas através do espaço intergalático.

Hubble, usando  o telescópio 100 pol. do Mount Wilson, fotografou muitas e muitas vezes  as espirais, comparando as chapas para achar uma estrela que mudasse a luminosidade. Finalmente, no dia 19  de fevereiro de 1924, ele achou uma Cepheide na Andrômeda. Ele calculou que a Andrômeda  está a um milhão de anos luz de nós (mas na verdade é o dobro).
O anúncio que Hubble achou cepheides em espirais na reunião da American Astr. Society oficialmente iniciou o fim da hipótese da nebulosa e começou a hipótese do "island universe" o reconhecimento que nós vivemos em uma, dentro de muitas galáxias.

Hubble achou depois de Cepheides, Supernova e estrelas gigantes na galáxia Andrômeda. Alguns astrônomos têm o dom de tirar fotos nítidas e maravilhosas. Hubble não era um deles, também não em tirar espectro, mas foi ajudado pelo Milton Humanson, um rapaz que ajudou os astrônomos no telescópio e logo ele e Hubble ampliaram o universo observável e catalogaram  mais e mais galáxias. Finalmente, as fotos dele continham mais galáxias do que estrelas do primeiro plano.

Em 1952, um ano antes da morte de Hubble, Walter Baade anunciou que achara um erro no cálculo da luminosidade das cepheides, o que dobrou a escala cósmica. Mais melhoramentos nos cálculos foram obtidas pelo seu assistente, Allan Sandage, e foi possível medir com segurança a distância de galáxias de 100 milhões e bilhões de anos luz de distância.

Percival Lowell pediu a Slipher que tirasse espectros de algumas espirais e percebeu a evidência de uma rotação ao redor de seus eixos. Hubble percebeu que, além desse movimento de rotação, há mais um movimento de desvio para o vermelho. A única explicação para essa descoberta fantástica era que existe um Doppler Shift - o nome  vem de um físico austríaco que descobriu que o som de  de uma buzina de carro parece mais alto quando vem se aproximando e mais baixo quando vai se afastando.

Da mesma maneira, as linhas do espectro das estrelas que se aproximam do sol são desviadas pelo azul e as que se afastam são desviadas pelo vermelho.

As velocidades das espirais deduzidas pelo desvio pelo vermelho de Slipher eram muita mais rápidas do que a velocidade das estrelas, 2 entre 15 observadas se afastaram mais do que 2 milhões de milhas por hora, 21 das observadas se afastaram e 4 não. Agora sabemos que são galáxias de nosso grupo conectadas pela gravidade.

Hubble tinha 30 anos quando foi desligado do exército e começou a trabalhar no telescópio de Mount Wilson. Cinco anos mais tarde, ele anunciou que achara  cepheides nas espirais, assim provando que são  galáxias e foi possível estabelecer as distâncias.

Cinco anos mais tarde, em 1929, ele estabeleceu a distância de 25 galáxias, o resultado é UMA LINHA RETA! Uma correlação direta entre distância e velocidade de recessão. Ele confessou que
"tudo isso vai ficar além da minha compreensão".

Faltou uma explicação teórica para esse fenômeno e ele falou: "observação sempre envolve teoria".

A lei de Hubble: Galáxias se afastam uma da outra com velocidade proporcional à distância que as separa.
Desde então essa descoberta foi chamada de Expansão do Universo. Mas, muito mais tarde, ele ainda não entedera tudo isso!

A pessoa que juntou a teoria da relatividade às observações de Hubble não foi um grande observador nem um teórico famoso, mas um padre incógnito belga, Georges Lemaitre. Ele mostrou que não é necessário ter conflito entre religião e ciência.

Em 1927 ele escreveu sobre a observação do desvio para o vermelho  em conexão com o universo em expansão e a teoria da relatividade de Einstein. A distância entre a teoria (européia) e as observações da América se fechou em 1930 quando Einstein e muitos judeus alemães, intelectuais e outros "ïndesejáveis" emigraram para os Estados Unidos. Einstein visitou Mount Wilson onde se encontrou com Hubble, que lhe deu um roteiro do observatório e o espectrógrafo que provou a expansão cósmica.

Dois anos mais tarde ele ouviu Lemaitre descrever o átomo primordial: no começo de tudo eram luzes de fogo de uma beleza incrível. Depois veio a explosão que encheu o céu de fumaça. Nós chegamos tarde demais para visualizar o esplendor da criação. Einstein se levantou e chamou Lemaitre: "essa teoria é a mais linda e satisfatória interpretação que ja ouvi." 

 

Revista Rio Total

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