Atualizado em 21/06/2008
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Helga Szmuk

A pedra Rosetta
 

Em 1801, um físico - Joseph Fourier - estava inspecionando as escolas de sua província, quando sua atenção se concentrou num menino de 11 anos. Ele, então, o convidou para ir à sua casa. O menino ficou fascinado pela coleção de artefatos do Egito que esse professor possuía. As inscrições em hieroglifos chamou toda a atenção do rapaz. Ele perguntou: - O que significa isso?
Mas ninguém sabia.
Incendiado pela curiosidade de saber mais sobre essa língua misteriosa que ninguém entendia, ele começou a estudar escrituras antigas, e se tornou um excelente lingüista.

Esses tesouros que ele encontrou na casa de Fouriet foram roubados por Napoleão e vendidos na França.

Champollion conseguiu decifrá-los somente 27 anos mais tarde, quando ele pisou em terra egípcia, a terra de seus sonhos. Ele velejou o Nilo rio acima, pagando homenagem à cultura que ele tanto admirou, e trabalhou para entender.

Em trechos de seu diário, disse:
Dia 16, finalmente, nós chegamos a Dendera. O templo finalmente apareceu na nossa frente. Uma união de graça e majestade num grau máximo. Nós na Europa somos anões, nenhuma nação antiga ou moderna alcançou a arte de arquitetura tão sublime, como no Egito.

Champollion estava feliz por ter conseguido ler as inscrições com facilidade. Muitos antes dele tentaram, mas ninguém conseguiu. Alguns estudiosos pensavam que hieroglifos (inscrições sagradas) eram um código de desenho, cheios de linhas, curvas, insetos, pássaros, tudo muito confuso.

Havia pessoas  que pensavam serem os egípcios colonizadores da China, outros pensavam  o oposto. Um estudioso olhou na pedra Rosetta e disse que ele sabia ler o conteúdo somente olhando para ela; quando a gente pensa demais, faz mais erros. Os resultados são melhores quando menos pensa.
Parecido com os UFA's de hoje, uma interpretação rápida sem pensar.
Champollion resistiu e com ajuda de um brilhante presságio de um jovem físico - Thomas Young - ele prosseguiu.

A pedra Rosetta foi descoberta por um soldado francês no delta do Nilo da cidade Kashid, que os europeus chamaram Rosetta (eles não falavam árabe). Era um pedaço de um templo antigo, e mostrava claramente a mesma inscrição em 3 escritas diferentes. Em cima hieroglifos, outro hieroglifo chamado Demolic no meio, e grego no fim.

Champollion, que sabia grego fluentemente, leu que a pedra fora escrita para comemorar a coroação de Ptolomeu V, na primavera de 196 a.c.
Nessa ocasião, o rei deu indulto aos prisioneiros, baixou os impostos, perdoou rebeldes, tudo que acontece até hoje, quando políticos querem ficar em seus postos.

O texto em grego mencionou o nome de Ptolomeu muitas vezes. Em quase igual posição, apareceram símbolos envolvidos por uma oval. Champollion deduziu que também significava Ptolomeu. Se era assim, então os escritos não seriam simplesmente desenhos, mas letras ou sílabas. Ele também contava as letras e sílabas em grego e percebeu que eram muito semelhantes nos hieroglifos. Mas, qual dos hieroglifos corresponderia a qual letra?
Por sorte, Champollion tinha um obelisco que tinha o nome CLEÓPATRA. Ptolomeu começa com P, o primeiro símbolo - um quadrado. Cleópatra tem o P, como quinto símbolo - também um quadrado. A quarta letra em Ptolomeu é L e a segunda em Cleópatra, representada pelo Leão. A águia é um A e aparece duas vezes em cleopAtrA. Passo  a passo, decifrou tudo!
Mas não todos são letras, também existem desenhos. O semi-círculo é um ovo no fim de Cleópatra e significa: filha de Ísis.

Parece tudo muito simples, mas demorou séculos até chegar nesse ponto!

Champollion andava na sala enorme de Hypostyle, o grande em Karnak, onde lia as inscrições que foram um mistério por séculos, e deu a resposta para a pergunta que ele fez com 11 anos de idade para Fouriet.

Que enorme prazer deve ter sido para ele ter aberto a comunicação com a história que era muda por milênios!

Quem sabe um dia vamos receber uma mensagem de outro sistema solar? As leis da física e da matemática são universais, mas a língua humana, não. Definitivamente, não vai ser Português ou Inglês.

As leis das distâncias das planetas, a rotação das galáxias distantes são universais, mas vamos precisar outra vez um Champollion para decifrar estas mensagens para nós.
Quem sabe, um menino ou menina de 11 anos vai nos ajudar nessa tarefa, que vai mudar nosso pensamento para sempre!


Helga Szmuk,
astrônoma amadora



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Direção
Irene Serra

IRENE SERRA
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