Em 1801, um físico - Joseph Fourier - estava
inspecionando as escolas de sua província, quando sua atenção se concentrou
num menino de 11 anos. Ele, então, o convidou para ir à sua casa. O menino
ficou fascinado pela coleção de artefatos do Egito que esse professor possuía.
As inscrições em hieroglifos chamou toda a atenção do rapaz. Ele perguntou:
- O que significa isso?
Mas ninguém sabia.
Incendiado pela curiosidade de saber mais sobre essa língua misteriosa que
ninguém entendia, ele começou a estudar escrituras antigas, e se tornou um
excelente lingüista.
Esses tesouros que ele encontrou na casa de Fouriet foram roubados por Napoleão e vendidos na França.

Champollion conseguiu decifrá-los somente 27
anos mais tarde, quando ele pisou em terra egípcia, a terra de seus sonhos.
Ele velejou o Nilo rio acima, pagando homenagem à cultura que ele tanto
admirou, e trabalhou para entender.
Em trechos de seu diário, disse:
Dia 16, finalmente, nós chegamos a Dendera. O templo finalmente apareceu
na nossa frente. Uma união de graça e majestade num grau máximo. Nós na Europa
somos anões, nenhuma nação antiga ou moderna alcançou a arte de arquitetura
tão sublime, como no Egito.
Champollion estava feliz por ter conseguido
ler as inscrições com facilidade. Muitos antes dele tentaram, mas ninguém
conseguiu. Alguns estudiosos pensavam que hieroglifos (inscrições sagradas)
eram um código de desenho, cheios de linhas, curvas, insetos, pássaros, tudo
muito confuso.
Havia pessoas que pensavam serem os
egípcios colonizadores da China, outros pensavam o oposto. Um estudioso
olhou na pedra Rosetta e disse que ele sabia ler o conteúdo somente olhando para ela;
quando a gente pensa demais, faz mais erros. Os resultados são melhores quando
menos pensa.
Parecido com os UFA's de hoje, uma interpretação rápida sem pensar.
Champollion resistiu e com ajuda de um brilhante presságio de um jovem físico -
Thomas Young - ele prosseguiu.
A pedra Rosetta foi descoberta por um soldado
francês no delta do Nilo da cidade Kashid, que os europeus chamaram Rosetta
(eles não falavam árabe). Era um pedaço de um templo antigo, e mostrava
claramente a mesma inscrição em 3 escritas diferentes. Em cima
hieroglifos, outro hieroglifo chamado Demolic no meio, e grego no fim.
Champollion, que sabia grego fluentemente,
leu que a pedra fora escrita para comemorar a coroação de Ptolomeu V, na
primavera de 196 a.c.
Nessa ocasião, o rei deu indulto aos prisioneiros, baixou os impostos, perdoou
rebeldes, tudo que acontece até hoje, quando políticos querem ficar em seus
postos.
O
texto em grego mencionou o nome de Ptolomeu muitas vezes. Em quase igual
posição, apareceram símbolos envolvidos por uma oval. Champollion deduziu que
também significava Ptolomeu. Se era assim, então os escritos não seriam
simplesmente desenhos, mas letras ou sílabas. Ele também contava as letras e
sílabas em grego e percebeu que eram muito semelhantes nos hieroglifos. Mas,
qual dos hieroglifos corresponderia a qual letra?
Por sorte, Champollion tinha um obelisco que tinha o nome CLEÓPATRA. Ptolomeu começa com P, o primeiro símbolo - um quadrado.
Cleópatra tem o P, como
quinto símbolo - também um quadrado. A quarta letra em Ptolomeu é L e a segunda
em Cleópatra, representada pelo Leão. A águia é um A e aparece duas vezes em
cleopAtrA. Passo a passo, decifrou tudo!
Mas não todos são letras, também existem desenhos. O semi-círculo é um ovo no
fim de Cleópatra e significa: filha de Ísis.
Parece tudo muito simples, mas demorou
séculos até chegar nesse ponto!
Champollion andava na sala enorme de
Hypostyle, o grande em Karnak, onde lia as inscrições que foram um mistério
por séculos, e deu a resposta para a pergunta que ele fez com 11 anos de
idade para Fouriet.
Que enorme prazer deve ter sido para ele ter
aberto a comunicação com a história que era muda por milênios!
Quem sabe um dia vamos receber uma mensagem
de outro sistema solar? As leis da física e da matemática são universais, mas
a língua humana, não. Definitivamente, não vai ser Português ou Inglês.
As leis das distâncias das planetas, a
rotação das galáxias distantes são universais, mas vamos precisar outra vez
um Champollion para decifrar estas mensagens para nós.
Quem sabe, um menino ou menina de 11 anos vai nos ajudar nessa tarefa, que vai
mudar nosso pensamento para sempre!