A SACRISTIA
I

Em 1860, Manoel de Macedo afirmou
que a sacristia do Convento de Santo Antônio era
a mais bela do Rio de Janeiro. E deve sê-lo até
agora. No entanto, não há dados precisos sobre
a sua construção, instalação e pessoas que
nela trabalharam. O mais provável é que, quando
Frei Lucas de São Francisco aumentou a
capela-mor, construiu e ornou também a
sacristia.
Ela compõe-se de um conjunto de
obras de arte. Seu pavimento é de mármore
português de diversas cores e contém lindos
desenhos simétricos. A barra é revestida de
azulejos com grandes painéis, alusivos ao
milagre da cura de um cego, realizado por Santo
Antônio.
O teto é dividido por grossas
molduras que contornam pinturas de paisagens, de
fatos relacionados com a vida do santo e diversos
emblemas. Este artístico teto estava ameaçado
de desabar porque os caibros e as molduras
estavam carcomidos pelo cupim, enquanto que as
tábuas estavam em perfeito estado. Com muita
dificuldade o guardião, Frei Justo Scheidgen,
conseguiu operários de uma firma especializada
para fixá-lo. Em seguida mandou consertar as
molduras e limpar as pinturas, garantindo a
conservação do belo conjunto da sacristia.
A grande e artística peça que
chama imediata atenção é o arcaz feito de
jacarandá. Em 1930, quando se faziam nele
pequenos reparos, foi encontrada uma tábua com
os seguintes dizeres: Este arcas fes
Manoel Alves Setubal. Acabou em 1745 em 16 de
setembro pede hum Padre Nosso e hua ave Maria
pello amor de Ds pella sua alma.
Na parede do lado oposto acha-se
um armário embutido para a guarda de vasos
sagrados e livros litúrgicos, feito com muito
capricho e arte.
Frei
Albano Marciniszyn, O.F.M.
(Continua)