O MAUSOLÉU

Ao  lado da sacristia existe um jardim que poderia chamar-se cemitério. Pois em 1963 foram construídos nele túmulos destinados ao sepultamento dos frades, cujos ossos depois de cinco anos são recolhidos aos ossários individuais na capela mortuária que convencionalmente é chamada Mausoléu.

Esta capela foi construída pelo guardião Frei Basílio Roewer, premeditadamente para dar abrigo condigno aos despojos dos membros da augusta Família Imperial depositados provisoriamente neste Convento.

Quando a Imperatriz do Brasil Dona Maria Leopoldina Josefa Carolina faleceu, aos 11 de dezembro de 1826, seu corpo foi levado ao Convento de Nossa Senhora da Ajuda, onde permaneceu até aos 9 de novembro de 1911, quando foi transladado para o Convento de Santo Antônio por ter sido vendido o de Ajuda. Junto com o corpo da Imperatriz vieram também os de sua filha Dona Paula Mariana e da filha de Dona Isabel, que nasceu morta aos 28 de julho de 1874.

A transladação realizou-se com grande aparato e solenidade, promovida pelo Sr. Coronel Raimundo Gomes de Castro, que na ocasião pronunciou um longo e eloqüente discurso. 

O Convento não devia servir de jazigo definitivo já que não apresentava condições adequadas para guardar os despojos de pessoas tão ilustres. Os sarcófagos da Imperatriz e de sua filha foram colocados no corredor entre a Igreja e a sacristia. A natimorta, em seu mausoléu, foi levada ao recinto da antiga capela da Sagrada Família, onde já se encontrava o mausoléu com os três corpos dos príncipes: D. João Carlos Borromeu, filho de D. Pedro I e de Dona Leopoldina, nascido aos 6 de março de 1821 e falecido aos 4 de fevereiro de 1822; D. Antônio Afonso, nascido aos 23 de fevereiro de 1845 e falecido aos 11 de junho de 1847, e D. Afonso, nascido aos 19 de julho de 1848 e falecido aos 10 de janeiro de 1850, ambos filhos de D. Pedro II e de Dona Teresa Cristina.

Já haviam passado 25 anos e ninguém tomava providências para dar-lhes abrigo conveniente. Então Frei Basílio Roewer, guardião do Convento, construiu o mausoléu e resolveu o problema definitivamente.

Na sua inauguração, no dia sete de setembro de 1937, estiveram presentes a Exma. Senhora Dona Darcy Vargas, digníssima esposa do Presidente da República, Sua Alteza o Príncipe D. Pedro de Orleans e Bragança com dois filhos, a Comissão do Instituto Histórico, cujo Secretário Perpétuo, Sr. Max Fleiuss, proferiu eloqüente discurso sobre a primeira Imperatriz do Brasil.

Hoje, o lugar dos seus restos mortais está desocupado. Por iniciativa do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo e da Prefeitura da mesma cidade, com o patrocínio do Ministério da Educação e Cultura e autorização da Família Imperial e das Autoridades Civis e Eclesiásticas, foram transferidos aos 12 de outubro de 1954 para o Monumento do Ipiranga.

Quis-se dar desta maneira um testemunho de gratidão à Imperatriz pelo que ela fez em benefício da Independência do país. E a data mais sentimental foi a da passagem do quarto centenário da fundação daquela cidade. Desde 1972 também os restos mortais do primeiro imperador repousam no mesmo monumento.


Frei Albano Marciniszyn, O.F.M.

(Continua)

 
 
     
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