DECADÊNCIA
DO CONVENTO

No fim do século XVIII o Convento
de Santo Antônio já não era uma árvore sadia, cheia de flores e
de frutos, mas enfraquecida, depauperada, improdutiva, próxima da
extinção. Entre as causas
principais da decadência deve ser incluída a indébita
intromissão do poder civil em assuntos de vida religiosa. Entre
estas intromissões ocupa lugar proeminente a proibição de admitir
noviços, decretada em 1764 pelo Marquês de Pombal.
Aos 19 de março de 1855 o governo
imperial baixou uma portaria, achando “por bem cassar as licenças
concedidas para a entrada de noviços nessa Ordem”. Foi a
sentença de morte para todas as Ordens, pois foi dirigida a todas
elas.
Desde 1878 Frei João do Amor
Divino Costa era o único sobrevivente da Província. Morava fora do
Convento, mas defendia e mantinha os direitos da Província sobre
todos os conventos. Sabia que com a su morte todos passariam
às mãos do governo. Apesar disso, somente aos 26 de abril de 1899
admitiu à Província dois frades pertencentes à Província alemã
da Santa Cruz, que já desde 1891 enviava religiosos para restaurar
as duas Províncias no Brasil. Um deles era Frei Diogo Freitas,
nascido em Humildes na Bahia que, sendo seminarista secular, entrou
na Ordem no dia 1º de novembro de 1894. O outro era Frei Crisólogo
Kampmann, da Província de Santa Cruz.
RESTAURAÇÃO
DO CONVENTO
Logo depois da incorporação dos
dois frades à Província, Frei Diogo Freitas assumiu o cargo de
guardião e, devido às circunstâncias permaneceu nele até 1920.
Prejudicado pela presença de Frei João do Amor Divino Costa, que
fazia questão de continuar na administração do Convento, nada
pode fazer de importante até a data do seu falecimento.
Por isso, somente nos princípios
de 1910 Frei Diogo Freitas pode começar a agir. Primeiramente
providenciou a retirada das dezessete famílias que moravam em
casebres construídos nos terrenos do Convento.
Em seguida demoliu estes casebres,
as enfermarias e as casas em frente da biblioteca, Com o material
das demolições construiu o muro na parte sul do Convento. Retelhou
todo o Convento e a Igreja. Colocou bandeiras sobre as portas das
celas para proporcionar-lhes melhor arejamento e mais iluminação
nos corredores. Abriu janelas no corredor dos fundos e instalou
banheiros e sanitários.
Em 1911 instalou a luz elétrica, desfez
a capela de Santo Aleixo, na sala do Capítulo para criar
um lugar à porta que atualmente a comunica com o saguão da
portaria. Submeteu a sala a radical limpeza, retirou as sepulturas e
assoalhou o chão.
Frei Albano Marciniszyn,
O.F.M.
(Continua)