A TENTATIVA DE SEQÜESTRO DO CONVENTO

No dia 4 de setembro de 1911 deu-se um episódio que não deve cair no esquecimento. Sem prévio aviso apareceram no Convento o segundo Procurador da República Dr. Albuquerque de Melo e o  Diretor do Patrimônio Nacional Dr. Alfredo Rocha para despejar os frades e seqüestrar o Convento. 

O diretor do Patrimônio exigiu que os frades deixassem o Convento imediatamente. Mas interveio o Procurador e a saída foi adiada. Ambos retiraram-se, mas deixaram o Convento sob a guarda de Mário Azevedo Coutinho e dois policiais. No dia seguinte o Dr. Rocha voltou e exigiu que os frades cumprissem a ordem de despejo, até às quatro horas da tarde do dia seguinte.

No dia 5 de setembro os jornais deram notícias por demais vagas sobre o episódio. Mas apareceu neles também um convite da União Católica Brasileira, cujo teor é o seguinte:

“A União Católica Brasileira, Associação de Mocidade, convida a todos os católicos do Rio de Janeiro para assistirem à saída dos religiosos franciscanos do seu Convento do Largo da Carioca, hoje até às quatro horas da tarde, hora em que serão expulsos estes Religiosos de sua residência. A Mocidade católica convida a todos os Vicentinos, todas as Associações, todos os Católicos para se reunirem junto ao Convento, durante todo o dia para assistir os Religiosos e confortá-los.”

O povo reuniu-se em massa. O Executivo soube do desagradável incidente. O Ministro do Exterior apressou-se em apresentar desculpas ao Núncio Apostólico. E os frades permaneceram no Convento. Depois desta encenação tragicômica o Governo moveu ainda processo, tentando apoderar-se do Convento. Mas perdeu a questão e foi condenado a pagar as custas. Recorreu então ao Supremo. Este somente depois de seis anos apreciou o mérito da causa e unanimemente negou-lhe provimento. Publicada a sentença aos 7 de junho de 1918, o Executivo revogou a ordem de seqüestro no dia 17 de abril de 1919.


Frei Albano Marciniszyn, O.F.M.

(Continua)

 
 
     
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