VIDA SANTIFICADA

BEATO FREI ANTÔNIO DE SANT’ANNA GALVÃO

II


* Quando chegou a São Paulo, a atual metrópole de 15 milhões de habitantes era uma esquálida vila de apenas 3.852 moradores. Frei Galvão deve ter sido, nesta esquecida cidadezinha, uma figura proeminente e logo foi ocupando cargos e ministérios. O livreto “Louvores a Frei Galvão” o descrevem como “astuto conforme o Evangelho”, “instrumento franciscano de paz”, “místico e fecundo na ação”, “testemunho do trabalho”, “porteiro e fiel acolhedor”. Amparava as três Ordens franciscanas e empenhou quase toda a sua vida a construir o Mosteiro da Luz, onde teve lugar a fundação das Irmãs Franciscanas Concepcionistas em homenagem à Imaculada Conceição de Nossa Senhora. Tendo terminado seus estudos em 1768, aos 30 anos, foi nomeado pregador, confessor dos leigos e responsável pela portaria do Convento de São Francisco em São Paulo. Mas ele queria mais, muito mais, e isto foi sua glória e sua cruz. 

* O capitão–General da Comarca, Dom Luís, Governador da Capitania e homem profundamente culto e religioso, resolveu criar uma Academia de Letras, que incluía a presença de Frei Galvão. Itu, Sorocaba, cidades do Vale do Paraíba foram visitadas pelo pregador franciscano, insigne por sua sabedoria e eloqüente em sua retórica.

* Mas nem tudo foi céu-de-brigadeiro na vida de Frei Galvão. O que Dom Luís teve de amigo, seu sucessor, Dom Martim Lopes, foi de espinho. Para agradar seus chefes imediatos que eram declaradamente anticlericais, Dom Martim ordenou o imediato fechamento do Recolhimento da Luz, obra que vinha ocupando as forças e o engenho construtor de Frei Galvão e cujos benefícios já se faziam sentir na vida dos habitantes de São Paulo. Mas o clamor popular foi mais forte e o Governador teve que voltar atrás, pela primeira vez.

* Mas houve uma segunda que ocorreu quando o filho do Governador se envolveu numa bebedeira e brigou com um soldado chamado Caetaninho que o feriu. O pobre soldado foi condenado à morte, o que revoltou a população e encontrou em Frei Galvão o advogado forte que o caso precisava. Como o Governador era maldoso, acabou expulsando o frade da cidade que se prontificou em obedecer, sem reagir. Mais uma vez o povo que tanto já o reverenciava, o salvou e o decreto foi revogado, podendo Frei Galvão permanecer na cidade.

Frei Neylor Tonin, OFM

(Continua)

 
 
     
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