Ano 10 - Semana 513


Vinhos:

Degustando um bom vinho

Escolhendo vinhos




 

      27 de janeiro, 2007
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Vinhos Romenos

HISTÓRIA

vinhos romenosA Romênia tem uma longa história vinícola atrás de si: as vinhas da orla do mar Negro foram plantadas há 3 mil anos pelos gregos; os saxões depois introduziram as variedades germânicas na Transilvânia. Foi preciso que uma epidemia de filoxera dizimasse a maior parte das plantas no fim do século XIX para que as cepas fossem substituídas em grande parte por outras de origem francesa (Pinot Noir, Cabernet Sauvignon, Merlot e Sauvignon Blanc). Foram conservadas, no entanto, algumas variedades nativas, das quais as mais conhecidas são a Tamaiioasa Romaneasca, a Feteasca Alba, a Feteasca Regala (branca) e a Feteasca Neagra (tinta). Com cerca de 260 mil hectares de vinhedos, a Romênia ocupa uma boa posição entre os países produtores de vinho - muito à frente de seus vizinhos nos Bálcãs -, e o vinhedo constitui parte importante da economia rural.

A maioria dos vinhos romenos é consumida no próprio país, o que limita as possibilidades de exportação. Os vinhedos se distribuem em oito regiões, que por sua vez se subdividem em cinqüenta denominações. O sistema de denominações é inspirado no modelo francês, enquanto o princípio de classificação copia o modelo alemão, motivo pelo qual os vinhos são classificados em função de seu teor alcoólico potencial e da data da colheita.

A classificação mais baixa corresponde à do vinho de mesa sem origem específica, que possui entre 8,5% e 10,5% vol. Seguem-se os vinhos regionais, ainda sem origem precisa, que têm entre 10,5% e 11,5% vol. No alto da escala encontram-se os vinhos de denominação, com teor alcoólico mínimo de 11,6% vol. Não se pratica a chaptalização. Embora ela não seja proibida, qualquer pedido de autorização se perde nos meandros da burocracia. Além disso, o açúcar é um bem escasso e caro no país, e por esse mes­mo motivo a maioria das vinhas ro­menas jamais viu sequer a sombra de um produto químico capaz de tratar a podridão e outras doenças.

Como todas as atividades na Romênia, a indústria vinícola passou por uma fase de transição. A terra foi restituída a seus antigos donos à medida que se desmantelavam as enormes fa­zendas do Estado, assim como as cooperativas, os únicos centros com capacidade para produzir e engarrafar o vinho corretamente.

O equipamento dos produtores pode variar desde os mais rudimentares até os de tecnologia mais recente, pois em alguns deles se fizeram grandes investimentos. Apesar de tudo, há um potencial real para a produção de vinhos de qualidade na Romênia. Os melhores vinhos, que não tardarão a ser descobertos pelos apreciadores, provêm de quatro regiões principais: Timave (Transilvânia), Cotnari, Dealul Maré e Murfatlar. Como país setentrional dos Bálcãs, a Romênia tem o clima mais frio e por isso privilegia os vinhos brancos. Em todas as regiões, excetuadas as do extremo sul, as uvas amadurecem com dificuldade, salvo nos anos particularmente quentes. Investidores dinamarqueses e ingleses mostram interesse por certas adegas, enquanto a GT2, um organismo alemão de cooperação técnica, presta assessoria aos produtores romenos. A Carl Reh Winnery, por sua vez, plantou 200 hectares de vinhas.


As regiões e os estilos de vinho

vinhos romenosAo norte dos Cárpatos, na região de Timave, cultivam-se vinhas num planalto que se estende entre dois rios, o Timave Mare e o Timave Mica. O solo é pobre, mas o microclima é ameno. As vinhas - plantadas das cepas Feteasca Alba, Feteasca Resgala, Riesling Itálico, Muscat Ottonel, Sauvignon Blanc e Pinot Gris - produzem vinhos brancos dotados de excelentes aromas e de um bom teor de acidez.

Nos contrafortes meridionais do Cárpatos encontram-se as vinhas de Dealul Mare, perto da cidade industrial de Ploiesti, ao norte da capital Bucareste. São plantadas num campo petrolífero, o que proporciona uma paisagem surrealista. O clima, mais quente, permite cultivar algumas cepas vermelhas, sobretudo Pinot Noir, assim como Cabernet Sauvignon, Merlot e Feteasca Neagra. A Tamaiioasa também é aproveitada em alguns vinhedos dessa região. Uma estação de pesquisa, dotada de equipamentos modernos, permite acompanhar o progresso do vinhedo.

A região mais quente e mais seca, Murfatlar, localiza-se perto do porto de Constanta. É aí que o Cabernet Sauvignon se exprime melhor, graças à influência quente do mar Negro que permite ao vinho ganhar em maturidade.

Cotnari

No século passado, os vinhos de Cotnari, claros, com gosto de mel, adquiriram certa reputação que não deixa de lembrar o Tokay húngaro.

O Cotnari provém das cepas Grasa, Feteasca Alba, Tamaiiosa Romaneasca e Francusa. A Grasa é uma variedade muito rica, sujeita à podridão nobre. A Feteasca traz a finesse, a Tamaiioasa Romaneasca, um perfume de incenso, e a Francusa, uma nota ácida para um vinho que poderia ser excessivamente doce.

Cada cepa é vinificada separadamente e depois misturada, na proporção de 30% de Grasa, 30% de Feteasca Alba, 20% de Tamaiioasa e 20% de Francusa.

Grandes tonéis de carvalho são utilizados para a fermentação e a maturação do vinho durante alguns anos antes do engarrafamento. O Cotnari envelhece bem.

 




Direção e Editoria
Irene Serra