08 de novembro, 2001
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Uisge Beatha
- com ou sem gelo -
 

O consumo do uísque já foi associado à garantia de uma vida longa. Entre os celtas, os sábios acreditavam que a combinação de álcool e cereais prolongava a vida. Seu nome, derivado do gaélico uisge beatha, é uma comprovação desta crença, já que o termo significa "água da vida".

A bebida é do tipo que arrebata amor ou ódio. Com ela não há meio-termo: é se apaixonar ou largar. Seus adeptos são tão fiéis que Vinícius de Moraes certa vez fez uma espirituosa declaração que se tornou antológica: «Se o cachorro é o melhor amigo do homem, então o uísque é o cachorro engarrafado». Em defesa da bebida também já saiu o humorista Millôr Fernandez, quando escreveu: «O uísque, tomado com moderação, não oferece nenhum perigo, nem mesmo em grandes quantidades».

Uma corrente de estudiosos atribui a origem do uísque aos celtas, mas no Egito foram encontrados figuras alusivas à destilação da cevada, o que deixa margem a interpretações de que foi ali que nasceu a bebida. Há também outra versão, a de que o uísque era primitivamente destilado no Oriente, passando depois para a Irlanda e, posteriormente, para a Escócia. Segundo o livro Tudo o que você precisa saber sobre whisky para nunca passar vergonha, de David Milsted, a nobre e milenar arte de destilação já era praticada na Ásia por volta de 800 a.C. A verdade incontestável, entretanto, é que há muitos séculos é elaborado um espirituoso destilado de cevada fermentada nas conhecidas terras altas (Highlands) da Escócia.

O mais conhecido
O uísque escocês, o mais respeitado e comercializado, segue tradicionais métodos de produção. O modo de preparo imprime características peculiares à bebida e mais uma vez é motivo de dividir a opinião dos apreciadores. Os anos que a bebida passa em barris antes de ser engarrafado vão determinar sua idade e algumas de suas características. O seu aroma e sabor característicos devem-se ao fumo da turfa utilizada na secagem do malte.

O maior produtor mundial de uísque - a Escócia - produz dois tipos diferentes da bebida. O primeiro é o uísque de malte (malt whisky) que é destilado somente de cevada maltada e pelo processo de fogo direto (pot-still). O segundo é o uísque de grão (rain whisky), destilado de uma mistura de cevada maltada, cevada não maltada, trigo, centeio e milho. e por meio do processo contínuo (coffey-still). O envelhecimento do uísque escocês é feito em cascos de carvalho durante um período mínimo de três anos.

Para envelhecimento, os uísques são armazenados em barris de madeira, de um tipo de carvalho branco, com idade média entre 40 e 50 anos. Para conservar melhor o sabor, os arcos dos barris são estocados ao ar livre por, no mínimo, um ano. Isso é importante para que eles fiquem expostos à ação do vento, do sol e da chuva. Depois de pronto, o interior do barril é tostado por um minuto para que a camada tostada intensifique o contato da madeira com a bebida que está sendo envelhecida.

Depois de cheios, os barris são colocados em prateleiras apropriadas e, com os anos, vão amadurecendo gradativamente e sofrendo a ação dos aromáticos, conhecidos de congêneres. Completando o período de envelhecimento, o uísque terá uma consistência suave, sabor, cor e aroma bem definidos.

Os sabores variam de acordo com a marca e para descobrir o que lhe é mais agradável só mesmo provando. Para acompanhar uma boa dose de uísque, nada melhor do que aperitivos. Castanhas de caju, amêndoas, amendoim, batatas fritas, biscoitos salgados e fatias de pão torrado são ótimos acompanhamentos. Outras opções são aspargos, anchovas, patê de galinha, de fígado ou caviar e o que mais a imaginação ditar. Aliás, imaginação é um ingrediente fundamental para os que não abrem mão de acompanhar o uísque com uma generosa conversa.

 




Direção e Editoria
Irene Serra