Ano 14 - Semana 735





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       13 de maio, 2011
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As Uvas do Vinho

As cepas são pontos de referência no grande mapa do vinho. Conhecer a cepa utilizada é interessante para o consumidor porque ela dá uma informação essencial sobre o sabor e o caráter do vinho que está na garrafa. Um vinho de Chardonnay terá, por exemplo, certas características gustativas, seja qual for sua procedência. A cepa é apenas um dos fatores do gosto – o solo e a técnica de vinificação podem ser bem mais importantes – mas algumas noções sobre as principais cepas são muito úteis na escolha de um vinho.

A vinha cultivada tem por longínquo ancestral uma planta selvagem que cresce na floresta e trepa em volta das árvores. O arbusto radicalmente podado que é a cepa atual não se parece muito com essa planta selvagem, mas o patrimônio genético pode ser estabelecido, mesmo que a cepa original de ”Vitis vinífera” tenha evoluído, a partir de então, em muitas milhares de variedade.

A despeito da multiplicidade das cepas, algumas foram selecionadas pelos vinhateiros por suas características particulares, e as melhores se tornaram verdadeiras estrelas internacionais. Todas são oriundas de vinhedos da velha Europa e estão ligadas, no espírito dos amantes de vinho e dos vinhateiros do mundo inteiro, aos grandes vinhos clássicos.

Na Europa, e particularmente na França, a legislação vitícola, regulamenta o emprego das cepas: todo Borgonha tinto da Côte d’Or é feito com Pinot Noir e praticamente todo Borgonha branco, apenas com Chardonnay. Outras regiões autorizam a mescla de várias variedades: o Bordeaux tinto comporta uma proporção variável de Cabernet Sauvignon, Carbenet Franc, Merlot e algumas cepas secundárias.

Os vinicultores do Novo Mundo plantaram vastas extensões dessas grandes cepas clássicas e de algumas outras. Quanto a saber se o recurso a uma cepa muito renomada permite aos vinicultores reproduzir em outro lugar o gosto da cepa original europeia, o debate continua aberto. Existe um consenso de que o caráter varietal, ainda que influa fortemente no gosto do vinha, constitui apenas um fator entre outros. A exposição, o clima, o solo e outros elementos próprios de determinado vinhedo atuam sobre o crescimento da vinha e sobre o gosto da uva. Depois, intervém o processo de vinificação.

A maior parte da produção mundial provém de cepas não clássicas. Estas podem ser cultivadas por respeito à tradição, por seu rendimento ou por sua adaptação à natureza dos solos assim como às condições climáticas locais. Não se deve acreditar que só as variedades clássicas podem dar bons vinhos.

A tendência mundial de privilegiar um punhado de cepas conhecidas coloca em risco as cepas nativas, que têm suas próprias características, representam um material genético precioso e proporcionam vinhos de personalidade original.

A IDENTIFICAÇÃO DAS CEPAS

O rótulo dos vinhos europeus de denominação raramente especifica o nome da ou das cepas de origem. Os vinhedos californianos foram os primeiros a difundir vinhos sob seu nome de cepa, habituando os consumidores americanos a identificar a Chardonnay a um vinho, assim como a uma variedade de vinhas.

 

● Nas próximas edições da seção Boca Boa da revista Rio Total – a partir da edição 736 – estaremos falando, detalhadamente, sobre as 48 principais cepas utilizadas para produção de vinho em todo mundo.

 

Textos baseados na enciclopédia “Larousse do Vinho”.

 




Direção e Editoria - Irene Serra