Ano 9 - Semana 476
 




 

 

  13 de maio, 2006
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Glúten

Eliminação do glúten na dieta alimentar compromete a saúde


A Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (ABIP) manifesta preocupação com relação à divulgação de uma nova dieta, sem comprovação médico-científica, que recomenda a exclusão do glúten da alimentação. A dieta prega que todos os alimentos que contêm glúten devem ser eliminados das refeições, o que inclui pães, biscoitos e massas em geral. “É mais uma dieta da moda que pode comprometer a saúde das pessoas”, diz o presidente da ABIP, Marcos Salomão.

Também preocupada com o interesse em torno da nova dieta a Sprim Box, multinacional francesa especializada em consultoria de comunicação e saúde, pesquisou sobre a seriedade do assunto e realizou levantamento junto a médicos, pesquisadores e nutricionistas. O levantamento concluiu que a dieta de exclusão do glúten contradiz diretrizes amplamente publicadas por organizações de saúde, internacionalmente respeitadas, tais como OMS (Organização Mundial de Saúde) e ADA (American Dietetic Association).

Isso porque tais alimentos formam a base da pirâmide alimentar, sendo, portanto, definidos como essenciais na dieta. Assim, para manter uma alimentação saudável, as pessoas precisam se orientar para o consumo de alimentos variados, englobando todos os grupos existentes, tais como cereais, vegetais, gorduras, frutas, leite e derivados, carnes e leguminosas.

O glúten é uma proteína presente na aveia, cevada, centeio e trigo. Estudiosos consultados indicam o alimento, inclusive, como possível fonte de proteínas para vegetarianos e mostram que a ingestão de carboidratos é muito importante, pois eles são o combustível primário do nosso organismo. Além disso, aponta o levantamento, dietas pobres em carboidratos podem causar tontura, cansaço e confusão mental a princípio, diminuindo o rendimento no trabalho e na rotina diária, além de desestabilizarem o equilíbrio dos outros macro-nutrientes ingeridos.

Um dos médicos ouvidos, o presidente da Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral (SBNPE) e professor do Instituto de Nutrição da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, Ricardo Rosenfeld, diz que “condenar o consumo de alimentos porque contêm glúten de maneira generalizada é desconhecer que trigo, cevada e aveia são parte da alimentação do ser humano desde seus primórdios. Além disso, todas as pirâmides alimentares, que indicam o que um indivíduo deve ingerir em seu dia-a-dia, têm esses alimentos em suas bases”.

Algumas pessoas podem ter alergia ao glúten,
desencadeando uma reação autoimune séria, mesmo em quantidades imperceptíveis, podendo causar problemas diversos a curto prazo e longo prazo (como complicações gastrointestinais, deficiências nutricionais, fadiga, e até mesmo osteoporose e aumento na probabilidade de câncer se não tratado). Quase 1% da população de países na América do Norte, do Sul, Europa, Oceania e mesmo alguns países na África e Ásia tem este problema – frequentemente sem saber a origem dos desconfortos que lhes afligem. O único tratamento é a eliminação completa e permanente do glúten da dieta. Ou seja, pães, massas, pizzas, cerveja, bolos, biscoitos, tortas e tudo que possa ter entrado em contato com o glúten deve ser eliminado da dieta.

Dessa forma, o glúten deve ser evitado somente pelos portadores da doença celíaca. Segundo o levantamento, não há referência científica à necessidade de supressão de glúten por parte de pessoas não portadoras da doença.

 

 

 





Direção e Editoria
Irene Serra