Ano 10 - Semana 525

 



 

          21 de abril, 2007
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Alimentos Funcionais


 

João Guilherme Sabino Ometto


A previsão de diversos organismos internacionais de que em 10 anos o Brasil será o maior produtor rural do mundo nos leva a pensar na diversidade — que já não é baixa — com que os alimentos poderão chegar à mesa do consumidor. Dentro desta ótica da multiplicidade e variedade, um item começa a se destacar. Trata-se do alimento funcional, que agrega benefícios diretos à saúde, além da nutrição básica. Dentre estes, incluem-se soja, tomate, alho, frutas cítricas, cereais e leite, que já possuem várias substâncias com ação preventiva e de estímulo ao bom funcionamento dos órgãos vitais do ser humano. Quando adequadamente industrializados, transformam-se em bebidas com vários nutrientes benéficos à saúde e produtos contendo ingredientes de importância para as funções orgânicas, físicas e mentais dos indivíduos.

Os alimentos funcionais começaram a aparecer há duas décadas, quando teve início a comercialização nos supermercados e assemelhados de artigos com baixo valor calórico e de gordura. Estima-se que o mercado mundial de alimentos funcionais movimentou ano passado algo em torno de US$ 60 bilhões na Europa, Japão e Estados Unidos — só neste último ele representa US$ 15 bilhões. No Brasil, o segmento representa 6% da produção nacional da indústria alimentícia. Esta linha de produtos significa cerca de US$ 600 milhões em negócios no País. Porém, apesar da crescente expansão deste mercado, é preciso discutir aqui o processo de regulamentação dos produtos, estabelecer bases tecnológicas e científicas para o seu maior desenvolvimento e viabilizar uma produção em grande quantidade.

O próprio consumidor ainda não está completamente seguro de que ingerir alimentos funcionais irá acarretar efetivo benefício. Em primeiro lugar, é necessário que as propriedades (vantagens) de cada produto sejam cientificamente comprovadas. Além disso, é preciso direcionar mais pesquisas científicas na área. O Brasil, com a enorme biodiversidade que possui, tem todas as condições de assumir posição de destaque no mundo no desenvolvimento de alimentos funcionais.

No que tange à segurança deste tipo de alimento à população, é preciso maior rigor do poder público para inibir abusos e o charlatanismo, que têm prosperado na área com a mesma intensidade com que o segmento cresce. Além disso, os alimentos funcionais ainda são mais caros em relação aos produtos sem estas características específicas. Portanto, é importante estimular a produção em larga escala, para que toda a população tenha acesso.

Por fim, cabe alerta no sentido de que os alimentos funcionais não são a salvação do mundo, embora sejam importantes numa sociedade cada vez mais preocupada com a saúde. O alimento regular continuará tendo sua função incondicional de ser um nutriente indispensável no dia-a-dia. Porém, os funcionais são mais um passo para que as substâncias ingeridas pelo ser humano sejam vetores de bem-estar, melhoria da qualidade e aumento da expectativa de vida.



João Guilherme Sabino Ometto é vice-presidente da Fiesp e
coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva do Agronegócio da entidade.

 




Direção e Editoria - Irene Serra