Ano 13 - Semana 687

 



 

        05 de junho, 2010
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Laranja


laranjeira De todas as árvores frutíferas, uma das mais conhecidas, cultivadas e estudadas em todo o mundo é a laranjeira. Como todas as plantas cítricas, a laranjeira é nativa da Ásia. Alguns historiadores afirmam que os cítricos teriam surgido no leste asiático, nas regiões que incluem hoje Índia, China, Butão, Birmânia e Malásia, países de clima subtropical úmido.

A trajetória da laranja pelo mundo é conhecida apenas de uma forma aproximada. Segundo pesquisadores, ela foi levada da Ásia para o norte da África e de lá para o sul da Europa, onde teria chegado na Idade Média. Da Europa foi trazida para as Américas na época dos descobrimentos, por volta de 1500.

A laranja espalhou-se pelo mundo sofrendo mutações e dando origem a novas variedades. Durante a maior parte desse período, a citricultura ficou entregue a sua própria sorte - o cultivo de sementes modificava aleatoriamente o sabor, aroma, a cor e o tamanho dos frutos.

As pesquisas e experimentos para aprimorar variedades de laranja começaram a ser desenvolvidas no século XIX na Europa, depois da disseminação das teorias de Mendel e Darwin. Já antes do século XX, os Estados Unidos passaram a liderar os esforços técnicos nessa área. Todos os estudos sempre tiveram voltados para o melhoramento do aspecto, tamanho e sabor dos frutos, como também o aprimoramento genético para a obtenção de árvores mais resistentes às doenças e variações climáticas.

Atualmente, os pomares mais produtivos, resultantes de uma citricultura estruturada, estão nas regiões de clima tropical e sub-tropical, destacando-se o Brasil, Estados Unidos, México, China e África do Sul.

O cultivo da laranjeira está disseminado por mais de 60 países e, na produção mundial de cítricos, a laranja participa com 69%.  No de processados de citros o Brasil destaca-se como maior exportador mundial de suco concentrado suprindo 80% da demanda mundial.

No Brasil a citricultura é significativa para os estados de São Paulo (80% da oferta nacional), Sergipe (4,8%), Bahia (3,8%) e Minas Gerais (3,8%).


Variedades

Cientificamente, a laranja-doce é conhecida como Citrus sinesis e a laranja-azeda como Citrus aurantium, ambas Dicotyledonae, Rutaceae.

Na laranja-doce destacam-se as variedades Pera (maturação semi-tardia), Natal (tardia), Valencia (tardia), Bahia (semi-precoce), Baianinha (semi-precoce); Lima, Piralima, Hamlim (semi-precoce).
A espécie laranja-azeda é representada pelas laranjas-da-terra.

A laranja doce tem porte médio, folhas tamanho médio com ápice ponteagudo, base arredondada, pecíolo pouco alado, flores com tamanho médio, solitárias ou em racimos, com 20-25 estames, ovário com 10-13 lóculos. Sementes ovóides, levemente enrugadas e poliembriônicas.

A laranja azeda tem porte médio a grande, folha com lâmina estreita, ponteaguda, base arredondada, flores grandes, completas; fruto ácido e amargo, de difícil consumo. Dos brotos, folhas e casca do fruto retira-se uma série de óleos essenciais, aromáticos, de alto valor em perfumaria e farmacopéia.
Descascando-as superficialmente e tirando o bagaço, faz-se o famoso doce de laranja-da-terra.

A composição por 100 g da fruta fresca é:

Calorias (63)
Glicídios (9,9 g)
Proteína (0,6 g)
Lipídios (0,1)
Calcio (45 mg)
Fósforo (28 mg)
Ferro (0,2 mg)
 

Magnésio (26 mg)
Vitamina A (14 mcg)
Vitamina B (40 mcg)
Vitamina B2 (21 mcg)
Vitamina C (40,9 mcg)
Potássio

 



Utilização da laranjeira:laranjeira em flor

Folhas
Contém óleo essencial utilizado em indústria.

Flores
Procuradas para ornamentação diversa e é, também, melífica (anti-inflamatória).

Fruto
O sumo da laranja-doce é utilizado, em nível caseiro, para preparo de sucos, refrescos e sorvetes; na indústria o sumo compõe sucos concentrados e refrigerantes.
A casca da laranja-da-terra é utilizada para o preparo de geléias, doces (em calda, cristalizados), bebidas.


Receitas

Salpicão com Laranja

Creme de Laranja

Bolo de Laranja




Necessidades da Planta:


Clima

laranja, riototalA faixa de temperatura para vegetação está entre 22ºC e 33ºC (nunca acima de 36ºC e nunca abaixo de 12ºC) com média anual em torno de 25ºC; sob altas temperaturas a laranjeira emite, ao longo do ano, vários surtos vegetativos seguidos de fluxos florais que possibilitam maturação de frutos em várias épocas.O ideal anual de chuvas está em 1.200 mm, bem distribuídos ao longo do ano; deficit hídrico deve ser corrigido com irrigação artificial. A umidade do ar deve estar em 80%. O clima influi na qualidade e composição do fruto (teor de suco, de sólidos, maturação, volume de frutos, outros).


Solos


Embora possa desenvolver-se em vários tipos de solos - de arenosos a argilosos desde que sejam profundos e permeáveis - a laranjeira prefere os solos areno-argilosos e até argilosos porosos, profundos e bem drenados. Evitar solos rasos e sujeitos a encharcamentos; pH na faixa 6,0 a 6,5.


Formação do Pomar


A muda de laranjeira

Deve ser obtida de viveiristas credenciados por órgãos oficiais. Deve ser enxerto (por borbulhia) maduro vigoroso, enxertia a 20 cm de altura do solo, com 3 a 4 brotações (ramos) a 60cm de altura (espaçados para formação da copa) distribuídos em espiral em torno do caule e sistema radicular abundante. As mudas de raiz nua devem ter raízes barreadas (com barro) para transporte.


Preparo do solo

A aplicação do corretivo (calcário dolomítico) deve ser feita antes da aração (metade da dose) e antes da primeira gradagem (segunda metade) a 60 a 90 dias antes do plantio.


Covas/adubação básica


As covas devem ter dimensões de 60 cm x 60 cm x 60 cm e na sua abertura separar a terra dos primeiros 15-20 cm de altura. A abertura deve ser feita 30 dias antes do plantio. Em plantios extensos sulcos podem ser feitos com sulcador de cana segundo as linhas de nível (terrenos acidentados).

Caso não haja recomendação de análise de solo colocar 1 kg de calcário dolomítico no fundo da cova e cobrir com um pouco de terra logo após a abertura da cova em seguida misturar 200 g de superfosfato simples, 15-20 litros de esterco de curral curtido à terra separada e lançar na cova.

Plantio

No período chuvoso típico da região ou em qualquer época, com auxílio da irrigação, efetuar o plantio; escolher dias nublados, sem ventos e com temperatura amena. No plantio colocar colo da muda 5 cm acima da superfície do solo; as raízes das mudas nuas devem ficar estendidas (sem dobras) e os espaços entre as raízes cheios com terra. Comprime-se a terra a medida que se enche a cova, faz-se "bacia" com terra e cobre-se a bacia com palha ou maravalha ou capim seco (sem sementes); se houver ventos fortes tutora-se a muda.
 

Fontes: Embrapa/CNPMF, EPAMIG, EPABA
 


 




Direção e Editoria - Irene Serra