Ano 11 - Semana 563

 




 

      12 de janeiro, 2008
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Tangerina,
um escudo feito de Magnésio


tangerinaA tangerina (citrus nobilis), também chamada de laranja-cravo (RJ), mexerica (MG), bergamota (RS), mandarino (SP), é usada para consumo na sua forma natural, como suco, sorvete e doce. É mais freqüente de maio a agosto e o tipo mais nutritivo é aquela tangerina de aspecto arredondado, de casca espessa e vermelha facilmente removível. fornecendo sempre um suco nutritivo abundante, doce e ácido.

As variedades mais conhecidas são: Cravo, Comum, Murcot, Poncã. 

O exemplo da tangerina prova mais uma vez que é na casca onde está concentrada a usina de saúde da fruta, apresentando neste caso comparativamente em relação ao seu suco, percentagens muito maiores de vitamina A (700%). vitamina B1 (170%), riboflavina   (220%), niacina (180%), vitamina C (290%), cálcio (800%), fósforo (140%) e ferro (400%).

DISSOLVE COÁGULO

tangerinaAlém do seu conteúdo importante em cálcio, fósforo, vitamina C, a grande marca da tangerina é de ser uma grande fonte de magnésio para o homem. O ser adulto contém aproximadamente de 20 a 28 gramas de magnésio, aproximadamente 60% localizados no osso, 26% no músculo e o restante espalhado pelos tecidos moles e células. 

O magnésio encontrado na tangerina é importante na síntese das proteínas, contratilidade muscular, excitabilidade dos nervos, além de ser um cofator essencial em vários sistemas enzimáticos. Ajuda ainda a controlar a temperatura do corpo, além de possuir uma ação antiarteriosclerótica, pois intervém favoravelmente no metabolismo lipídico e nos mecanismos de formação e dissolução do coágulo sanguíneo.

CÁLCULOS RENAIS

Sabe-se que dietas ricas em magnésio (ameixa, arroz integral, azeitona, aveia, batata, banana crua, beterraba, castanha, cereja, cevada, coco, couve, café instantâneo, chocolate doce, espinafre, laranja, maçã, pêra, trigo, germe de trigo) são parcialmente efetivas na prevenção de cálculos renais de oxalato de cálcio. 

Concluindo, a grande aplicação do magnésio encontrado na tangerina se faz medicamente naquelas situações onde é freqüente a deficiência deste mineral, como são os vômitos persistentes, diarréia crônica, má absorção intestinal, alcoolismo e no uso prolongado de diuréticos tais como: clorotiazida, ácido etacrínico, cloreto de amônio, diuréticos mercuriais. Escudando a saúde do homem, a tangerina é fruta revolucionária, curando e prevenindo doenças, além de fornecer os elementos minerais e vitamínicos necessários para a movimentação da nossa máquina metabólica.

MAGNÉSIO E A TIREÓIDE

Sabe-se que o hipertireoidismo tóxico (tireotoxicose) vai associado com uma deficiência do magnésio sanguíneo (hipomagnesemia) paralelamente acoplado a um balanço negativo deste mineral no corpo.

No hipotireoidismo grave (deficiência da tireóide) ou mixedema as concentrações do magnésio tendem a se elevar e o balanço metabólico é particularmente positivo. A normalização hormonal destas duas situações conduz à restauração da homeostasia do magnésio do corpo. 

O hormônio tireoidiano tem uma ação estimulatória no transporte celular do magnésio.

DIABETES E O MAGNÉSIO

Longas perdas de magnésio se fazem sentir nos casos de coma diabético ou acidose metabólica descompensada, porém, com a normalização do quadro, verifica-se, sob a ação da insulina, uma restauração do conteúdo de magnésio do corpo do diabético.

GLÂNDULA ADRENAL E MAGNÉSIO

A relação entre a aldosterona produzida pela glândula adrenal e o magnésio é do nosso conhecimento há mais de uma década. Enquanto nos casos de hiperaldosteronismo (aumento no sangue da aldosterona), se nota a deficiência de magnésio, nos pacientes com insufiçiênçia adrenal global ou sem a glândula adrenal (ou supra-renal), removida cirurgicamente, a concentração de magnésio está aumentada.

CARÊNCIA DE MAGNÉSIO

A carência de magnésio manifesta-se na clínica por alterações no comportamento e distúrbios neuromusculares com: aumentos dos reflexos, tetania, convulsões tonico-clôniças, generalizadas ou focais, vertigem, ataxia, tremores, fraqueza muscular acompanhada, na maioria das vezes, da redução do magnésio do sangue a menos de 1mEq/litro (cifra baixa de magnésio). Nestas circunstâncias existem alterações eletrocardiográficas típicas desta deficiência.

EXCESSO DE MAGNÉSIO E O RIM

As manifestações clínicas do excesso de magnésio do homem foram observadas com detalhe durante o seu emprego como agente anticonvulsivo e anestésico e se caracterizam por redução da transmissão neuromuscular (arreflexia tendinosa, disartria, ataxia, paralisia respiratória, coma), alterações na condução do estímulo cardíaco, hipotensão arterial, náuseas, vômitos e dificuldade em urinar e defecar. Embora tais sintomas tóxicos só ocorram em indivíduos normais, com elevações acentuadas do magnésio sérico (10 a 15mEq/L), eles podem manifestar-se com níveis mais modestos de hipermagnesemia em doentes de insuficiência renal. É aconselhável, portanto, evitar os laxativos e antiácidos contendo magnésio quando existe redução de filtração urinária (menos de 20ml/minuto) ou quando a uréia e a creatinina sanguínea se encontram muito elevadas no sangue (insuficiência renal). O tratamento do excesso de magnésio dependerá da severidade das manifestações clínicas. Quando houver ausência de reflexos tendinosos, respiração superficial, coma ou mesmo parada cardíaca devem ser aplicados de imediato 5 a 10mEq de cálcio (gluconato ou cloreto) na veia, lentamente. A ingestão de magnésio deve ser sus-pensa e o magnésio em excesso poderá ser removido do organismo por diálise (peritoneal ou hemodiálise).

Dr. Flávio Roitman
A cura popular pela comida


 


 




Direção e Editoria - Irene Serra