Ano 10 - Semana 498
 




 

    14 de outubro, 2006
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Azeite na Gestação
 

azeiteEm visita ao Brasil para participar do I Simpósio Internacional sobre Alimentação Saudável, realizado no Hospital do Coração em meados de setembro, a nutricionista portuguesa Helena Cid, membro da Fundação Portuguesa de Cardiologia e da Associação Portuguesa dos Nutricionistas, apresentou resultados de estudos que comprovam: o consumo de azeite é benéfico para a formação dos fetos.

Ingrediente indispensável à dieta mediterrânea, o azeite – de preferência o extra-virgem – atravessa gerações na Europa. Lá, o produto é referência de saúde há séculos. E hoje os especialistas apenas comprovam o que os antepassados já diziam: uma alimentação saudável, repleta de frutas, verduras, carne branca, castanhas e azeite de oliva, leva sim à longevidade. A novidade é que agora foram descobertas novas propriedades do azeite, como a sua semelhança com o leite materno. “O azeite é a gordura que mais se assemelha ao leite materno, tanto pela sua composição quanto pela sua digestibilidade. Por isso, seu consumo durante a gravidez é altamente recomendado, a princípio porque auxilia no desenvolvimento do feto, na composição do tecido adiposo e na produção de prolactina, o próprio leite materno”, explica a nutricionista.

Para obter melhor digestão e amenizar a acidez gástrica – muito comum em gestante – o azeite também funciona como grande aliado, segundo Helena. “Isso porque sua composição bioquímica protege o estômago da acidez e facilita o funcionamento da vesícula biliar, além de facilitar a absorção de nutrientes pela mãe, como o cálcio – mineral indispensável para a maturação óssea”.

A indicação também vem da Organização Mundial da Saúde (OMS), e de outras sociedades científicas, que já admitiram a relação entre o consumo de gordura boa e a biossíntese de membranas celulares. Segundo a OMS, a mulher grávida tem necessidades maiores de ácidos graxos essenciais (ômega 3 e 6). “E o azeite, como sabemos, possui grande quantidade desta substância em sua composição”.

Destaca-se ainda o papel do azeite no desenvolvimento cerebral, e mais recentemente, a correlação de seu consumo ao desenvolvimento cognitivo das crianças. Generosa fonte de vitamina E e Beta-caroteno, o consumo de azeite ainda favorece o desenvolvimento do sistema ocular, da retina, além de promover boa acuidade visual. Estas vitaminas também agem como poderosos antioxidantes capazes de neutralizar danos celulares, inclusive mutações no DNA.

Segundo Helena, a grávida deve ingerir azeite nas duas principais refeições diárias, almoço e jantar. Pode utiliza-lo para temperar saladas e no preparo dos alimentos em geral. Sabe-se que o azeite de oliva é a gordura que mais resiste ao aquecimento; consegue agüentar até 220º C sem se deteriorar e perder suas propriedades benéficas. Isto acontece porque o azeite, em relação aos outros óleos, é muito mais rico em antioxidantes e em gordura monoinsaturada (ácido oléico).

Na Europa, e principalmente nos países mediterrâneos, o azeite é ingrediente que nunca falta na hora das refeições. Helena Cid explica que, por lá, o produto já é consagrado e faz parte da cultura das famílias. Mas, e no Brasil? Segundo pesquisa realizada pelo Hospital do Coração, em São Paulo, num universo de 600 pessoas, 83% citaram o azeite como um exemplo de gordura boa. “Os dados mostram que os brasileiros já reconhecem no azeite as suas propriedades benéficas para a saúde. Resta agora colocar em prática a alimentação saudável”, avalia Helena Cid.

 

 




Direção e Editoria - Irene Serra