Ano 13 - Semana 692

 




 

       10 de julho, 2010
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Melão

O melão (Cucumis melo L.)  é uma planta polimórfica, cujo centro de origem é a África, entretanto, foi na Índia onde ocorreu sua dispersão, espalhando-se deste país para todas as direções. Hoje encontramos cultivares de melão em diversas regiões do mundo, desde os países mediterrâneos, centro e leste da Ásia, sul e centro da América e também o centro e sul da África. Esta amplitude de regiões de cultivo é conseqüência de uma grande variabilidade genética que tem permitido a adaptação de diferentes tipos de melão em condições agronômicas diversas, de tal maneira que hoje podemos encontrar em todos os mercados do mundo melão com diferentes cores, formato e aroma.

No Brasil, são cultivados principalmente na região nordeste, pois, muito próximo do Equador, os melões encontram excelentes condições climáticas para amadurecer o ano todo, com excelente aparência, homogeneidade e sabor. A grande vantagem de regiões semi-áridas para o cultivo do melão é a pequena ocorrência de chuvas que favorecem a baixa incidência de doenças e a melhor qualidade dos frutos.
Existem inúmeras variedades,  todas apresentando frutos mais ou menos esféricos, com casca espessa e polpa carnosa e suculenta, com muitas sementes achatadas na parte oca do centro. A cor e a textura da casca, bem como a cor e o sabor de sua polpa, variam de acordo com o cultivar.

Tipos:
Orange Flesh, Pele de Sapo, White Honeydew, certamente o mais comercializado, com sua casca amarela uniforme, polpa levemente verde e extremamente suculenta.
Esse melão mais conhecido, que popularmente é chamado de melão  comum, tem o mesmo poder vitamínico dos demais. Sua diferença principal está exatamente no sabor mais adocicado.
O melão rei é um pouco mais caro e raramente está esbranquiçado.
O melão pele de sapo e o melão orange, que possuem tonalidade mais alaranjada por dentro, tem o mesmo sabor.

O ºbrix é usado como índice de classificação de melão de acordo com seu teor de açúcar, sendo menor que 9 ºbrix considerado como não comercializável, de 9 a 12 como comercializável, e acima de 12º brix como melão extra.
No Brasil, planta-se principalmente cultivares de melão do grupo Inodorus, tipo “amarelo”, entretanto, há uma tendência de mercado no aumento da demanda por melões do grupo Cantalupensis, aromáticos, de polpa salmão, com bom sabor e maior teor de açúcar. Para os melões do tipo “pele de sapo”, “gália” e “charentais”, a principal oportunidade de expansão da cultura é o mercado externo, especialmente o europeu.

A abundância de água em seu interior e o sabor suave tornam o melão uma fruta muito apreciada na forma de refrescos e sucos. Suas sementes, tostadas e salgadas, também são muito consumidas.
Os melões cultivados no Brasil são deliciosos e ideais para serem consumidos com frios e forma uma excelente combinação para saladas e entradas sofisticadas. In natura ou em sucos é ótimo repositor de energias, sendo indicado após exercícios físicos.

O melão é bastante refrescante e por esse motivo indicado para os meses de calor. Tem sabor levemente adocicado e contém quantidades razoáveis de cálcio, fósforo e ferro, que contribuem para a formação dos ossos, dentes e sangue. Tem também vitamina A que protege a visão, vitamina C, que age contra infecções e niacina, que combate problemas de pele.

Valor nutricional a cada 100 g:
Calorias - 31 kcal
Proteínas - 0,85 g
Gorduras - 0,15 g
Vitamina A - 2800 U.l.
Vitamina B1 (Tiamina) - 30 mcg
Vitamina B2 (Riboflavina) - 20 mcg
Vitamina B5 (Niacina) - 0,55 mg
Vitamina C

Na medicina:
Maduro, o melão é bom como calmante, diurético e laxante. É também recomendado nos casos de gota, reumatismo, artrite, obesidade, colite, prisão de ventre, afecções renais, nefrite, cistite e infecções ginecológicas.

Na hora de comprar, dê preferência aos de casca firme, cor viva, e sem rachaduras, partes moles ou perfurações de insetos. Para ser consumido, o ideal é que ceda à pressão dos dedos. 
O "bico" do melão – parte que fica no extremo oposto de onde ela é colhida – se estiver macio, o que não quer dizer mole, a fruta está madura.
Para saber se já passou do ponto, é só dar uma chacoalhada. O melão bom não faz barulho, pois as sementes não estão todas soltas.

Diferente de frutas como a pêra ou o mamão, que se perdem com muita facilidade, o melão é uma fruta resistente e muito durável. Em boas condições se conserva em geladeira por 2 a 3 semanas.

Seus períodos de safra vão de dezembro a março e de julho a setembro.

Para comê-lo:
- corte-o longitudinalmente
- remova as sementes e as fibras que as conectam com a polpa
- a seguir corte-o em segmentos ou cubos, removendo a casca
- leve ao refrigerador e sirva gelado

Produção:
A China é o maior produtor, com 33,47% da produção mundial, seguida pela Turquia, Irã, Estados Unidos e Espanha. O Brasil é, atualmente, um dos maiores produtores de melão da América do Sul, com 17% da produção total. Embora o Brasil ocupe a 19a colocação na produção mundial de melão, há fortes tendências de crescimento desta cultura nos últimos anos em função do aumento do consumo interno e das exportações. O Brasil dispõe de tecnologias e conhecimentos capaz de dar suporte a um salto quantitativo e qualitativo na produção de melão para abastecer o mercado interno e aumentar suas exportações para outros países. A região Nordeste foi responsável por cerca de 99% desta produção, destacando-se os Estados do Rio Grande do Norte (56,7%), Ceará (35,5%), Bahia e Pernambuco (7,8%).
Em 2001, a exportação de melão foi equivalente a 39,3 milhões de dólares, sendo superada apenas pela manga, com 50,8 milhões.
A concentração da safra brasileira coincide com a entressafra da Espanha. Da produção brasileira, 40% são exportados, principalmente, para a Inglaterra e para a Holanda.

Nas Américas, o melão foi introduzido por intermédio de Cristóvão Colombo e a partir dessa época, passou a ser utilizado pelos índios, sendo rapidamente espalhado por todo o continente. No Brasil, a introdução foi feita pelos imigrantes europeus e o Estado do Rio Grande do Sul foi, possivelmente, o seu primeiro centro de cultivo no país.

 

(Principal fonte de consulta: tese de Nivaldo Duarte Costa)







Direção e Editoria - Irene Serra