Ano 11 - Semana 533


Receita e considerações enviadas por Roberto V. Machado, de Belo Hori-zonte.

Aproveite e aprecie sua arte fotográfica no site  Olhares.

 



 

          16 de junho, 2007
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Vaca Atolada

Nosso Gourmet da semana é Roberto Vieira Machado
que, com freqüência, nos brinda com receitas especiais.


Considerações Pertinentes:

Este é um prato ideal para o inverno e dentro desse gênero um dos que mais aprecio. Quem nunca ouviu falar em “casamento perfeito”, referindo-se à combinação entre duas modalidades de iguarias ou alimentos, como por exemplo, arroz com feijão, goiabada com queijo, frango com quiabo e angu, entre tantos outros?

Em minha opinião este prato é um “casamento perfeito” entre a costela de boi e a mandioca. É nutritivo, saboroso, prático e econômico. Mas ressalto a diferença entre a vaca atolada e caldo de mandioca. Este, muito comum, principalmente em festas juninas nas cidades grandes, consiste na mistura da mandioca cozida e parcialmente batida em liquidificador, com um cozido de carne bovina, que nem sempre é a costela, acompanhada de pedaços de bacon e/ou picadinhos de lingüiça calabresa. Há gente que acha que é a mesma coisa. Mas não é mesmo. Nas cidades do interior este é bastante apreciado. Em minha terra natal, Corinto, é um senhor cardápio. A mandioca, fresquinha, enxuta, (quando congelada desidrata parcialmente); a costela, também de corte que não foi congelada, o esmero de quem gosta de cozinhar... Imbatível!

Voltemos ao cardápio. A mandioca brasileira, talvez a melhor do mundo, é um tubérculo, uma fécula, também conhecida como aipim, termo este mais usado no nordeste e entre os indígenas. Para estes trata-se de um dos seus alimentos prediletos. Por ser um amido natural, portanto um hidrato de carbono nobre, é classificado como alimento energético ou trófico. A costela bovina, ao contrário do que possa parecer, não é uma carne gordurosa, pois esta fica a recobri-la parcialmente, o que pode ser facilmente removida antes de fazer. Possui tecido cartilaginoso, tornando-a mais rica ainda em proteína. Dentro da costela há certa quantidade de tutano, que deixa o alimento com alto valor calórico, típico para o inverno. União de corpos - (não é casamento?): A mandioca, suculenta quando cozida, desprende um caldo que se vai entremear na costela. Esta, por sua vez, também cozida e temperada, produz um suco (caldo) que penetra na planta tuberculosa (assustou-se com o adjetivo? Pois está correto). Este tubérculo, muito rico em fibras hidrossolúveis, torna o alimento bem digestivo.



Modo de Fazer:

A proporção é aproximadamente 1 kg de mandioca para 1 kg de costela de boi, picada, é claro.

Cozinha-se a mandioca em água, sem tempero ou sal.

Em outra panela maior refoga-se a costela já temperada (o ideal é deixar no mínimo seis horas temperada com antecedência, sempre guardada na geladeira). Deixa corar, coloca-se água e espera cozinhar, como o mesmo esmero como se fosse a costela o único prato a ser servido.

Leva-se a costela, já pronta, para panela da mandioca cozida na água que agora aparenta um aspecto leitoso do suco do aipim. Deixar abrir fervura de novo. É o momento de provar o tempero e acrescentar mais se necessário.
Particularmente acho que esta comida não dispensa uma pimentinha. Pronto! Quase terminando a cocção espalhar um pouco de cheiro verde e salsinha. Depois me conta. Bom apetite! Vai uma pinguinha aí?

 

Receita enviada por Roberto Vieira Machado, de Belo Horizonte.
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Direção e Editoria
Irene Serra