01 de fevereiro, 2018
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Carnaval, essa festa popular


Angela Nassim (Lynn)

 

"Existem no Brasil, apenas duas coisas realmente organizadas: 
a desordem e o carnaval..." (Barão do Rio Branco)


Mas, afinal, de onde veio essa festa popular que a cada ano convoca e integra milhares de foliões espalhados por todo o país?

O Carnaval é descendente direto de festas realizadas no antigo Egito em devoção a Osíris. Outros festejos semelhantes eram realizados na Grécia e também em Roma. Em sua fase moderna, o Carnaval tem origem nas festas realizadas antes da Quaresma, período de 40 dias que antecede a Páscoa. 

Uma das versões mais aceitas para a origem do termo carnaval está no Dicionário de Frei Domingos Vieira. A palavra Carnaval vem do italiano carne e vale. O dialeto milanês tem carnelevale, de baixo latim carnelevamen de carne e levamen ação de tirar, assim, pois, tempo em que se tira o uso da carne, pois o carnaval é propriamente a noite antes da quarta- feira de Cinzas.

Por duas rotas chegou o carnaval ao Brasil. A primeira, partindo da África, de onde os negros, junto com seus cantos e danças, contrabandearam, inconscientemente, a semente do carnaval. A outra, veio da Europa, através das festas tradicionais de Portugal, como o entrudo (festa um tanto grosseira, em que as pessoas jogavam de tudo, até urina, umas nas outras). A união destas duas culturas nos deu, além da mulata, o carnaval.

No entanto, muito antes de chegar ao Brasil, o carnaval já existia. Suas origens se perdem no tempo. Há a possibilidade de o carnaval ter surgido ainda antes de Cristo, mas a maioria dos autores o dão como surgido nas orgias do Egito e da Grécia, ou nos bacanais de Roma, realizadas em dezembro. Sofrendo muitas transformações de acordo com as épocas e as diferentes sociedades, o carnaval penetrou fundo em vários povos, tornando-se festa tradicional. Alguns carnavais ficaram famosos como o de Veneza, o de Nice, o de Florença, o de Nápoles e, principalmente, o do Rio de Janeiro.

O primeiro Carnaval brasileiro, segundo os historiadores, ocorreu em 1641. O então governador do Rio de Janeiro, Salvador Correa de Sá Benevides, determinou que se dedicasse uma semana inteira de festejos para homenagear a coroação do Rei Dom João IV. O povo adorou a folia autorizada. Os primeiros carnavais eram inspirados nos "entrudos" portugueses, realizados desde o século XVI, no período que antecedia a Quaresma. Consistiam em ingênuas batalhas de água com limão. No século XVIII, no entanto, já se atirava de tudo, de urina a ovos podres e tomates estragados.

Na metade do século XIX, o carnaval do Rio ganha aos poucos aspectos mais coloridos. De Paris, vinham apetrechos, como a máscara carnavalesca, em 1835. Em 1852, um conjunto de bombos e tambores liderado pelo sapateiro português José Nogueira de Azevedo, invade as rua do Rio e faz enorme sucesso. Era o Zé-Pereira, bloco ruidoso e contagiante que durante muito tempo sobreviveria. A música de carnaval começava a nascer.

No início, o carnaval era animado com canções portuguesas, especialmente as quadrilhas e as chamadas chanças lusitanas. Em seguida, dançaram-se a polca e os ritmos do Carnaval italiano. Em 1870, surgiu uma música tipicamente brasileira, o maxixe. Nesse ano, a população cantou a primeira canção carnavalesca do País: "E viva Zé Pereira".

Em 1899, a marchinha "Ó Abre Alas", de Chiquinha Gonzaga apontava para o surgimento de um novo gênero de musica brasileira: as músicas carnavalescas. Morre o Zé-Pereira, mas de sua herança nasceram tamborim, cuíca, reco-reco e pandeiro. Hoje, o carnaval carioca é considerado um dos mais belos espetáculos da Terra.
 

Publicado anteriormente na Revista Rio Total em 2001




Direção
IRENE SERRA
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