VARIEDADES

          
LIONEL JOSPIN QUER ACELERAR
AS COMPENSAÇÕES DAS VÍTIMAS DE
ESPOLIAÇÕES DURANTE A GUERRA

Uma vara judicial encarregada de examinar os pedidos individuais irá funcionar muito em breve.

Em 28 de novembro de 1998, o Sr. L. Jospin admitiu a necessidade de acelerar os trabalhos da comissão Mattéoli a respeito das espoliações cometidas na França entre 1939 e 1945.

A Comunidade Judaica francesa está impaciente sobre este assunto. Enquanto que em Washington se inicia uma conferência que está efetuando um balanço das espoliações efetuadas as judeus durante a segunda guerra mundial, sob a dominação nazista, a França sente dificuldades em estabelecer um inventário dos atos cometidos no seu território, entre 1939 e 1945. Henri Hajdenberg, presidente do Conselho representativo das instituições judaicas na França (CRIF) criticou isso, durante um jantar no CRIF, onde estiveram presentes o Sr. L. Jospin e outras personalidades políticas, tais como o Presidente do Senado, Christian Poncelet. O Sr. Hajdenberg criticou a lentidão dos trabalhos efetuados pela comissão Mattéoli, sendo que este último declarou que não dispunha de pessoal suficiente e que encontrava dificuldades em obter informações em alguns ministérios e setores administrativos. Assim, ele só entregaria o relatório no ano 2000. A comissão acabava de receber, de acordo como Sr. Hajdebenrg, 10 milhões de francos para acelerar os trabalhos, mas a dificuldade estava em obter as informações do Ministério da Fazenda, onde estão documentadas as espoliações e este Ministério está relutando em entregá-las. O primeiro ministro ressaltou a necessidade de combater as fraquezas, idéias e métodos da extrema direita na França, que não gosta de pesquisar as áreas sombrias da sua história. Uma nação só tem a ganhar quando olha com lucidez o seu passado, inclusive as páginas negras. É por isso que concordei plenamente com o Presidente da República, a respeito de suas declarações sobre os crimes cometidos contra os judeus, durante o regime Vichiste. Todavia não podemos negar a importância da qualidade dos resultados já obtidos pela Comissão Mattéoli.

O Sr. Dominique Strauss-Kahn, ministro das finanças e presente no jantar recusou o pedido do CRIF que gostaria de não esperar a conclusão do relatório para receber 1950 obras de arte, classificadas sob um estatuto provisório, devido ao fato de que foram encontradas nos entrepostos dos nazistas após a segunda guerra. Essas obras se entregues à comunidade judaica fariam parte da memória do Shoah.

Uma Nação Sempre Lucra Quando Olha com Lucidez o seu Passado

O primeiro ministro cautelosamente deseja que todas as pesquisas sejam efetuadas para a conclusão dos trabalhos e para se decidirem a sorte das obras de arte encontradas e cuja origem ainda é desconhecida.

Ele confia nos resultados da comissão Mattéoli e acaba de criar uma vara judicial encarregada de estudar os requerimentos individuais das vítimas de anti-semitismo e outras que se achem com direitos. Este procedimento deverá permitir estabelecer o que realmente pertenceu e a quem.

Finalmente, conforme um desejo da comunidade judaica, o presidente da república decidiu gastar 50 milhões de francos do Estado, para um projeto de ampliação do Memorial do Mártir Judeu Desconhecido e para a criação de um Museu do Shoah.

 

Fonte: Journal Le Monde/1998
Enviado por Leon M. Mayer
Presidente da Loja Albert Einstein da B'nai B´rith do RJ

 

 

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IRENE SERRA
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