VARIEDADES

                

JUSTIÇA CASTIGA RACISMO CONTRA JUDEUS


Autor de um artigo de jornal que comparava judeus a ratos e baratas, o bancário Fernando Cezar Egypto Bezerra, 45 anos, foi condenado a pagar multa de um salário mínimo e prestar dois anos de serviços a um asilo, conforme sentença da juíza Florentina Porto, da 2ª Vara Criminal de Petrópolis.

Trata-se do primeiro réu a ser condenado no País por racismo contra judeus, segundo o Ministério Público. Fernando protestou. "Um brasileiro não pode abrir a boca. É um absurdo", reagiu. Egypto despertou a revolta da comunidade judaica ao escrever o artigo Analogia, publicado pelo jomal Diário de Petrópolis em 21 de agosto de 1997. Nele, afirma: "Existem três pragas, três ervas daninhas em todo o mundo: baratas, ratos e judeus". Apesar de dizer em depoimento que não tinha intenção de ofender e que seu artigo não tinha cunho racista, a juíza considerou que Fernando praticou crime previsto na Lei 7.716, que trata de casos de racismo. Ele se declara um "cristão islâmico" e afirma que sua atual com companheira (cujo nome não revelou) é judia: "Já fiz uma retratação pelo jomal. Vamos recorrer".

O procurador de Justiça, autor da notícia crime, comentou a decisão. "A sentença tem caráter histórico, pois é inédita no País. É também importante num momento em que vemos o ressurgimento do nazismo nos Estados Unidos", elogiou David Boresnstajn que acompanhou o processo desde 1997. Borenstajn perdeu mais de 20 familiares em campos nazistas.

 

Fonte: A Folha de SP

 

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