Ano 9 - Semana 445



 

08 de outubro, 2005
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Rabino Efraim Laniado

A fé acima de tudo
 

Era muito comum, antigamente, que a nação que dominasse uma região impusesse sua fé e religião aos vencidos, não lhes permitindo viver de acordo com seus princípios e crenças. Inúmeras vezes os judeus foram forçados a aceitar o cristianismo, por exemplo, afastando-se de seu Criador.


No início do século VI, vivia rabi Amnom de Maguentsa. Rico e carismático, era um dos líderes da comunidade judaica e, por causa de sua posição e prestígio, o bispo da região tentou convencê-lo a abandonar o judaísmo e converter-se ao cristianismo. No que foi, várias vezes, recusado. Um dia, porém, após forte pressão, o rabino disse que pensaria sobre o assunto, dando uma resposta em três dias.

Rabi Amnon jamais tivera intenção de se converter, porém queria que o deixassem em paz. No entanto, ao retornar para sua casa, percebeu que, com suas palavras, colocara sua fé em dúvida apenas por ter dito que pensaria e se aconselharia sobre o assunto. Era como se estivesse deixando em aberto a possibilidade de abandonar o D'us único.

O rabi, então, recusou-se a comer e a beber, e adoeceu. Nem as palavras de seus amigos e parentes, que vinham visitá-lo, conseguiam consolá-lo. A todos dizia que, por causa de suas palavras, desceria ao abismo, e chorava, entristecendo-se e adoecendo cada vez mais.

Passados os três dias, o bispo mandou chamá-lo, porém rabi Amnon recusou-se a ir. O bispo enviou novos emissários e, mais uma vez, ele não acatou as ordens. Finalmente, o bispo ordenou: "Tragam-no à força". E assim foi feito.

Ao encontrar-se frente a frente com o rabi, o bispo perguntou-lhe: "Então, Amnon, por que você não compareceu, findo o prazo estipulado, para, me dar uma resposta?" E o rabi respondeu: "Vou dizer-lhe apenas o que mereço, sem nenhuma outra explicação. A língua que lhe mentiu, deve ser cortada". Com estas palavras, rabi Amnon queria santificar o nome de D'us e punir-se por ter proferido as palavras erradas.

O bispo, por sua vez, retrucou: "Não, a língua não cortarei, pois falou adequadamente. Mas as pernas que não vieram a mim no prazo estipulado, estas, sim, cortarei e o resto de seu corpo farei sofrer". E assim aconteceu. O perverso bispo ordenou que cortassem os dedos de suas mãos e de seus pés. E a cada dedo extirpado, perguntava-lhe: "Amnon, você quer reconhecer a fé cristã?" E a resposta era sempre a mesma: "Não".

Ao final do castigo, foi colocado em uma cama, com todos os dedos ao seu lado e, então, enviado para casa.

Por ter acreditado em D'us, ele se chama rabi Amnon - aquele que acreditou (Heemin) no Criador e passou por grandes sofrimentos pela sua fé, aceitando-os com amor. Sofrimentos que enfrentou por ter falado de forma duvidosa sobre sua crença.

Durante as comemorações de Rosh Hashaná, rabi Amnon pediu à família que o levasse à sinagoga, com todos os seus dedos cortados, e que fosse colocado ao lado do chazan. E assim aconteceu.

Quando chegou o momento da kedushá, o rabi pediu ao chazan que o deixasse santificar o Criador.
E disse: "Então, ao Senhor subirá a santificação, ou seja, que santifiquei o Teu nome por Teu reinado e Unicidade", acrescentando "Unatanê Tokef Kedushat Hayom", que significa "dada à intensidade da santidade este dia".
E continuou a prece, dizendo: "Verdade que o Senhor é o juiz e o Senhor pune". Com estas palavras, rabi Amnon reconheceu mais uma vez o D'us de Israel, aceitando sobre si o seu destino. "Cada pessoa assina e sela o seu destino, D'us julga e se lembra de todas as criaturas". Ao terminar esta oração, faleceu. Os presentes então recitaram "grande e bom é o destino que o Senhor reservou para os que O temem". (Salmos XXXI).

Três dias após a sua morte, rabi Amnon apareceu no sonho de rabi Kalonimus, filho de rabi Meshulam, e ensinou-lhe a oração Unetanê Tokef Kedushat Hayom, ordenando-lhe que a enviasse às diversas comunidades judaicas da diáspora como testemunho e lembrança de sua fé. E assim foi feito.

Atualmente, graças a D'us, o relacionamento entre os povos modificou-se. A opressão do passado cedeu lugar ao entendimento, dando a todos o direito de viver de acordo com sua vontade, seguir sua fé e servir ao Criador com liberdade.

Em razão de todos estes benefícios, neste Dia do Julgamento, devemos fazer um balanço da nossa vida e preservar acesa a chama do povo de Israel. Tal conduta servirá de exemplo aos nossos filhos, estimulando-os a continuar no caminho dos nossos antepassados. Que possamos ter um ano feliz, cheio de saúde e prosperidade!



Fonte: Morashá
Enviado por Leon M.Mayer



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