Ano 9 - Semana 445



 

 

08 de outubro, 2005
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Rabino Abraham Skorka


As celebrações do mês de Tishrei


Ao celebrarmos o Ano Novo lembramos  a Criação Divina. É por esta razão que nestes dias Deus julga a Criação como quem faz um balanço de sua obra. Os sábios explicam  que a Tefilá (rezar) Teshuvá, (retorno a Deus mediante a correção da nossa conduta) e a Tzedaká, (ajuda comprometida ao necessitado), podem modificar o veredito divino. Com estas ações o homem busca obter o perdão do Criador e assim poder atingir o espírito de pureza em Iom Kipur.


Rosh Hashana, O Juízo Celestial

Em quatro ocasiões durante o ano, o mundo é julgado.
Em Pessah pelos frutos da terra. Em Atzeret (Shavuot) pelos frutos das árvores. Em Rosh Hashana todos os que chegam neste mundo  passam perante Ele como ovelhas diante do seu pastor. Em Sucot Deus julga a abundância ou carência de chuvas.

Ao homem dos tempos dos profetas resultava difícil acreditar que a Deus Lhe interessava saber o que pensa, o que faz e o que sente. Aceitavam que Deus se encarregava  ou dedicava somente às grandes obras, não podiam entender que Deus também se interessava por cada ser humano tal como o pastor cuida de cada uma de suas ovelhas.
Este juízo está cheio de incógnitas.
Como é que Deus julga as suas criaturas? Onde o justo recebe retribuição pelo que faz e o malvado pelo que não faz? Por que às vezes o justo sofre e os malvados parecem trinfar?

Nos 24 livros que formam a Bíblia, um é totalmente dedicado ao tema do sofrimento do justo, é o Livro de Jó.
Quando os sofrimentos dos judeus pelas perseguições chega ao máximo do limite do imaginável, o Rabi  Levi Itzhak de Berditchev, defensor do povo de Israel perante Deus, dizia: "Deus, não peço que me reveles  os mistérios de Tuas ações, porque eu não os entenderia. Não quero saber porque sofro, meu único desejo é saber se sofro por tua causa.

A criação do Estado de Israel foi a resposta humana, judaica ao Shoah.
A quem veja nisto a intervenção Divina na História.


Iom Kipur, a procura da Pureza


O desafío maior do Kipur é encontrar a dimensão da Pureza.
Que é a Pureza? É a manifestação significativa da vida em suas expressões de justiça, amor e igualdade.

Lemos no Livro do Profeta Ezequiel: E levarei a vós outros dentre todas as nações e os levarei a vosso lar. E os darei um coração novo, um espírito novo e retirarei de vossa carne o coração de pedra e vos darei um coração de carne.

Pureza é um coração de carne, que saiba ser sensível, alegrar-se e ser misericordioso consigo mesmo e com os outros e pelo amor humano encontrar o amor Divino.

Isto é a essência do Iom Kipur.

 

Artigo publicado na revista da B'nai B'rith Argentina
do Rabino Abraham Skorka,
Reitor do Seminário Rabínico Latinoamericano,
e Rabino da comunidade Benei Tikva.
Traduzido por Leon M.Mayer.


Seu artigo será bem recebido em comunidade-judaica@riototal.com.br


Direção
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