HISTÓRIA E TRADIÇÃO

          
Rabino Kalman Packouz

            

Nôah

           
         A história de um homem correto e justo em uma geração perversa. O Todo-Poderoso ordena Nôah a construir uma arca sobre uma montanha, longe do mar. Ele demorou 120 anos para construí-la. As pessoas zombavam de Nôah, perguntando: “Por que está construindo um barco em cima da montanha?” Nôah explicava que haveria um dilúvio se as pessoas não corrigissem seu comportamento. Vemos aqui a paciência do Todo-Poderoso ao aguardar que as pessoas retificassem e melhorassem seus caminhos e, também a genialidade de D’us ao despertar a curiosidade das pessoas para que fizessem a tal pergunta, na esperança que ouvissem a resposta e começassem a agir.

         Aquela geração não fez Teshuvá, arrependendo-se dos seus maus caminhos, e D'us trouxe um Dilúvio que durou 40 dias. A água cobriu o planeta por 150 dias. O Todo-Poderoso cria o arco-íris, sinal do pacto que nunca mais destruiria toda a vida na Terra através da água. Por isso, ao vermos um arco-íris, é um presságio para fazermos Teshuvá  -  reconhecer os erros que estamos cometendo na vida, arrependermo-nos, corrigi-los e pedir desculpas a qualquer um que tenhamos prejudicado e também a D'us.

A Torre de Babel

        A Torre de Babel foi construída como um esforço da humanidade para demonstrar que não existe um D’us. Iriam construí-la até o céu e provar que Ele não estava lá. Isto não foi agradável aos olhos de D’us’. A Torá declara: “E D’us desceu para ver a cidade e a torre (de Babel) que os filhos dos homens construíam (Bereshit 11:5). Por que a Torá nos relata que D’us veio ver a cidade e a torre?

        Rashi, Rabino Shelomo Yitzchaki, que viveu na França no século XI, considerado um dos maiores comentaristas bíblicos, cita um Midrásh Tanchumá que declara que o Todo-Poderoso realmente não tem nenhuma necessidade de descer para ver a torre, pois D’us está em todo lugar. Ele fez isto para ensinar uma lição aos juizes: não condenem ninguém sem antes investigar e entender toda a situação.

        De uma maneira mais ampla, existe uma lição para todos nós, não apenas aos juízes de um tribunal. Todos nós julgamos os atos das outras pessoas.

        Não nos permitamos condenar ninguém baseando-nos em ‘ouvi dizer’ ou evidências circunstanciais. A menos que tenhamos investigado cuidadosamente o assunto e tenhamos estabelecido sem nenhuma sombra de dúvida que a pessoa é culpada das acusações levantadas conta si, devemos encarar toda pessoa favoravelmente.



Traduzido e enviado por Gerson Farberas

 

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IRENE SERRA
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