Ano 18 - Semana 930


 

 

   1º de abril, 2015
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Por que a Ênfase  em  Pessach  ser  Livre de Chamêtz?



Rabino Kalman Packouz


Em Pessach, somos proibidos de possuir chamêtz (praticamente todo produto feito de trigo, cevada, centeio, aveia ou espelta, não produzido especialmente para Pessach) ou tê-lo em nossas propriedades. Na noite anterior a Pessach, procedemos a uma rigorosa procura pelo chamêtz em casa.

O chamêtz representa a arrogância. Pessach é tempo de liberdade - liberdade espiritual - a essência do porquê o Todo Poderoso nos tirou do Egito. Como mencionei anteriormente, a única coisa que se interpõe entre você  e D'us... é você. Para se aproximar do Todo Poderoso, que é a meta e a essência de nossas vidas (e esta oportunidade se apresenta ao cumprirmos cada Mitsvá e/ou Festa religiosa), cada um precisa remover sua própria arrogância. Esta é a lição que aprendemos ao remover o chamêtz de nossas posses.

Liberdade significa possuirmos a capacidade de usar nosso livre-arbítrio para crescer e nos desenvolvermos. Muitas pessoas pensam que são livres,  quando na verdade são "escravas" das novidades e modismos da sociedade. Escravidão é tomar uma atitude não pensada, seguindo os desejos e impulsos do corpo. Nosso trabalho em Pessach é sairmos desta escravidão para a verdadeira liberdade.

Uma das liberdades a serem trabalhadas durante Pessach é a “liberdade da boca (ou seja, da fala)”. Nossos sábios encaram a boca como um das partes mais perigosas do corpo. É o único órgão que pode causar problemas em ambas as direções - no que entra (comida e bebida) e no que sai (a conversa). De tão perigoso, é o único órgão humano que tem duas “trancas”: os dentes e os lábios. Alguns de nós são escravos de suas bocas, tanto no que comem quanto sobre o que falam.

Na noite do Seder corrigimos estes problemas. Temos a mitsvá de relatar a saída do Povo Judeu do Egito (para refinar nossas conversas) e a mitsvá de comer Matsá e beber 4 copos de vinho (para enobrecer o que comemos e bebemos).

A estrutura da língua hebraica, por si só, sinaliza na direção da “Liberdade da Boca”. A palavra Pessach pode ser dividida em duas: Peh e Sach, que significa "boca falando" - nós temos a obrigação de contar sobre o Êxodo do Egito durante  toda a noite. A palavra hebraica Paró (que era o perseguidor dos Judeus na  história de Pessach) pode ser dividida em duas: Pé e Ráh, uma “má boca”. Nossa aflição durante a escravidão no Egito era caracterizada como Pérach (trabalho duro), que pode ser lido em 2 palavras: Pé  e Rach , uma “boca solta”, sem responsabilidade com o que fala.

Possamos nós, neste Pessach, nos libertarmos da “má boca”  e nos livrarmos da “boca solta”, onde muito de comida e bebida erradas adentram e muitas palavras inapropriadas escorregam para fora.


Traduzido e enviado por Gerson Farberas,
com permissão do autor.
Editado, inicialmente, em abril, 1996.

 

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