Ano 11 - Semana 547

 


 

 

  22 de setembro, 2007
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Prof. Sami Goldstein 

Dia 10 de Tishrei
(Iom Kipur)


O Dia do Perdão é o ponto fundamental das comemorações do Ano Novo judaico, sendo o único dia  no qual temos cinco serviços religiosos (Kol Nidrei, Arvit, Shacharit com Mussaf, Minchá e Neilá).

Quando nossos antepassados vagavam pelo deserto, o dia 10 de Tishrei (Iom Kipur) foi a data em que Moisés desceu do Monte Sinai com as segundas Tábuas da Lei, demonstrando que Deus  havia perdoado o povo pelo pecado do bezerro de ouro. Portanto, este Iom Tov dia ficou marcado para as futuras gerações como um dia de expiação e arrependimento.

Diferentemente de Rosh Hashaná e qualquer outra festividade, as leis de Shabat também vigoram  em Iom Kipur. Além disso, ele tem suas próprias leis: durante 25 horas abstemo-nos de comer ou beber, assumindo concretamente nosso remorso  pelas faltas cometidas e para, ao mesmo tempo, podermos concentrar-nos no espiritual, afastando-nos simbolicamente do excesso material que nos cerca nos outros dias. Mais ainda: o jejum conscientiza-nos acerca do sofrimento de tantos desprivilegiados em todo o mundo que passam fome o ano inteiro. Todos os homens acima de 13 anos e mulheres acima de 12 devem jejuar (as crianças devem abster-se de comer guloseimas neste dia). É importante ressaltar que , sempre que o jejum trouxer riscos à saúde, ele deve ser imediatamente suspenso.

Uma outra proibição é a de usar sapatos feitos de couro. A origem está no versículo bíblico : "No Dia da Expiação (...) afligirás tua alma" (Levítico 23:27). O desconforto físico, segundo a tradição, é um meio para a penitência espiritual. Antigamente, somente os calçados feitos a partir do couro eram confortáveis. Outra interpretação é que neste dia, dedicado à vida, não é tolerada a destruição de um ser vivo, nem mesmo um animal. E, finalmente, existe uma explicação social: apenas os ricos podiam dar-se ao luxo de comprar artigos de couro. Em Iom Kipur, há uma perfeita nivelação de todos os homens. Diante de D-us não há ricos nem pobres - somos todos iguais. As outras proibições são: lavar-se; sichá - o que, antigamente, era a unção com óleo, mas que, hoje, aplica-se a perfumar-se, maquiar-se ou o uso de qualquer creme; e manter relações conjugais.

Este era o único dia ano no qual o Sumo Sacerdote tinha permissão para entrar no Santo dos Santos, a dependência mais sagrada dos Templos. O Talmud relata que nem mesmo os seres celestiais tinham permissão para adentrar naquele recinto. Lá, representando todo o povo judeu, ele pronunciava o Nome de Deus composto de quatro letras, implorando para que o Criador perdoasse suas faltas. Até hoje, durante o Serviço, relembramos a alegria do povo ao vê-lo retornando para abençoá-lo. Justamente por isso, costumamos vestir-nos com trajes brancos, a fim de que nossas vestimentas assemelhem-se àquelas utilizadas por ele em Iom Kipur, já que o branco é o sinal da pureza e inocência.

Este dia, na Torá, é chamado de Iom Hakipurim, e não Iom Kipur, como tradicionalmente o conhecemos. A tradução mais  correta seria a Dia das Expiações. Isto porque  a maior prova de santidade e arrependimento não é pedir desculpas a D-us, mas perdoar as faltas de seu companheiro. A mensagem de fraternidade e amor ao semelhante é uma constante neste período tão sagrado.


G'mar Chatimá Tová
Que sejamos confirmados para o bem.

 

Prof. Sami Goldstein - Líder Espiritual
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