Ano 13 - Semana 693

 

 

     17 de julho, 2010
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Dias de Luto e de Jejum
    

Jane Bishmacher de Glasman


Para relembrar os tristes eventos que marcaram o começo do exílio e a destruição do Templo, os profetas instituíram 4 dias de jejum; 4 vezes por ano se requer dos judeus que jejuem desde o amanhecer até que apareçam as primeiras estrelas: Assará be Tevet (10 de tevet), Taanit Ester (13 de adar), Shivá assar be Tamuz (17 de tamuz) e Tzom Guedaliá (3 de tishrei). Chamam-se de Taanit Tzibur (jejum público). A diferença do jejum de Tishá beAv (9 de av) é que  este dura de um entardecer até o seguinte. Se qualquer um destes jejuns cai no shabat, é adiado até o dia seguinte, exceto Iom Kipur, que não se adia, e Taanit Ester, que se adianta para quinta; senão cairia em Purim, e luto e alegrias não devem entremear-se.

O cumprimento dos jejuns pelo povo de Israel servem a 3 propósitos: teshuvá (arrependimento), bakashá (pedido especial ou súplica privada ou pública) e avelut (luto privado ou público).

1) 17 de tamuz recorda o assalto a Jerusalém pelos babilônios, além da quebra das Tábuas da Lei por Moisés e a brecha na muralha do Templo, feita, mais tarde, pelos romanos.

2) 9 de av: é a data mais sombria do calendário judaico. Nela se registram vários fatos trágicos como: o decreto pelo qual os israelitas deveriam vagar pelo deserto por um período de 40 anos; a destruição do I e do II Templos; a queda da fortaleza de Beitar; a queda de Bar Ko’hbá e o massacre de sua gente; o sítio de Jerusalém por Adriano; a assinatura do édito de expulsão dos judeus da Inglaterra em 1290 e a do decreto de expulsão da Espanha, em 1492. De todas estas desgraças, a mais dolorosa para os judeus é a destruição dos 2 Templos. Neste dia se jejua não apenas para recordar os tristes fatos do passado como para testemunhar a unidade do povo no presente, sua vontade de existência e sua fé em seu destino.

Em 9 de av se lê a  Meguilat  Ei’há (Lamentações), escrita pelo profeta Jeremias que presenciou a destruição do I Templo. A meguilá se lê de noite, à luz de uma lúgubre vela, e na manhã seguinte. A congregação se senta no solo ou em bancos baixos e não se usam nem os tefilin nem o talit. Depois da leitura de Ei’há, se cantam as Kinot (súplicas): são poemas de lamentos e elegias escritas por poetas de várias épocas que foram testemunhas de desastres para o povo judeu. As kinot variam de comunidade em comunidade, porém geralmente terminam com as chamadas shirei Tzion (Siônidas), poemas dedicados ao Monte Sagrado do Templo -Monte Sião. Uma das  famosas é o poema Tzion halo tishali de Iehudá ha-Levi. Uma nota de esperança se encaixa em Tishá beAv. Segundo o Midrash Ei’há Rabá , capítulo 1, “o Messias nasceu no dia em que o Templo foi destruído”. Nem no momento mais lúgubre se pode deixar de ter esperança num futuro mais luminoso.

3) 3 de tishrei recorda o assassinato de Guedaliá, último governador de Judá, nomeado por Nabucodonosor.

4) 10 de tevet, dia do começo do cerco de Jerusalém, por Nabucodonosor.

O período entre 17 de tamuz e 9 de av é considerado período de luto (bein há-meitzarim=entre as angústias). Durante essas 3 semanas deve-se se abster de manifestações de alegria e, nos últimos dias, é proibido comer carne e beber vinho.

Nestes dias de jejum são lembradas as infelicidades do povo judeu e se pede  a Deus que perdoe suas faltas e  que reconstrua o Templo,  transformando o luto em dia de festa.

O jejum de 10 de tevet, com a tentativa de destruição do judaísmo europeu, alcançou um novo significado. O Grande Rabinato o declarou dia permanente de kadish, dedicado à memória dos seis milhões de judeus que pereceram na Europa durante os anos de 1940-1945. Neste dia se recita o kadish e se estudam Mishnaiot pelo descanso de suas almas.

 

Jane Glassman é  Doutora em Língua Hebraica, Literaturas e Cultura Judaica,
Professora Adjunta, Fundadora e ex-Diretora do Programa
de Estudos Judaicos – UERJ, escritora.

 

 



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