Ano 12 - Semana 633


 

Atualizado em 23/05/2009
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Jane Bichmacher de Glasman


JERUSALÉM: Três mil anos de História




"Se eu me esquecer de ti , ó Jerusalém,
que a minha mão direita esqueça a sua destreza.
Apegue-se a minha língua ao céu da boca, se me não lembrar de ti,
se não colocar Jerusalém acima da minha maior alegria."
(Salmos 137: 5-6)

 



O Rei Davi fez de Jerusalém a capital do seu reino e o centro religioso do povo judeu em 1003 AEC. Cerca de 40 anos mais tarde, seu filho Salomão construiu o Templo (centro religioso e nacional do povo de Israel) e transformou a cidade em próspera capital de um Império que se estendia do Eufrates até o Egito.


Nabucodonosor, rei da Babilônia, conquistou Jerusalém em 586 AEC, destruiu o Templo e exilou o povo. Cinqüenta anos depois, com a conquista da Babilônia pelos persas, o rei Ciro permitiu que os judeus retornassem à sua pátria e lhes concedeu autonomia. Eles construíram o segundo Templo, no local do primeiro, e reconstruíram a cidade e suas muralhas.


Alexandre, o Grande, conquistou Jerusalém em 322 a.EC.. Após a sua morte, a cidade foi governada pelos ptolomeus do Egito e mais tarde pelos selêucidas da Síria. A helenização da cidade atingiu o auge sob o rei selêucida Antíoco IV; a profanação do Templo e a tentativa de anular a identidade judaica deram origem a uma revolta.


Liderados por Judas, o Macabeu, os judeus derrotaram os selêucidas, reconsagraram o Templo (em 164 AEC) e restabeleceram a dinastia judaica sob os Hasmoneus, que se conservou no poder por mais de 100 anos, até Pompeu impor a lei romana sobre Jerusalém. Herodes, o rei idumeu, governou a Judéia de 37 AEC até 4 EC. Ele estabeleceu instituições culturais, erigiu magníficas construções e reformou o Templo, transformando-o num esplendoroso edifício.


Após a morte de Herodes, o governo romano tornou-se cada vez mais opressivo. Em 66 E.C., irrompeu a revolta dos judeus contra Roma.

Durante poucos anos, Jerusalém viu-se livre da opressão estrangeira, até que em 70 E.C., as legiões romanas comandadas por Tito, conquistaram a cidade e destruíram o Templo.

A independência judaica foi restaurada por breve período, durante a revolta de Bar Kochba (132-135), mas os romanos triunfaram mais uma vez, e os judeus foram proibidos de entrar em Jerusalém. A cidade foi reconstruída com feições romanas e o nome mudou para Aelia Capitolina.

Por um século e meio, Jerusalém foi uma pequena cidade provinciana. Esse quadro modificou-se radicalmente quando o imperador bizantino Constantino transformou Jerusalém em um centro cristão. A Basílica do Santo Sepulcro (335) foi a primeira de um grande número de majestosas construções que se ergueram na cidade.


Em 634, com o enfraquecimento do Império Romano, exércitos mulçumanos invadiram o país. Em 638, Jerusalém foi conquistada pelo Califa Omar. Apenas sob o reinado de Abdul Malik, que construiu a mesquita do Domo da Rocha (ou Mesquita de Omar, em 691), um califa lá se assentou. Após um século da dinastia omíada de Damasco, Jerusalém passou a ser governada pela dinastia dos abássidas de Bagdá (em 750), época na qual começou o declínio da cidade.


Os cruzados conquistaram Jerusalém em 1099, massacraram seus habitantes judeus e muçulmanos e fizeram de Jerusalém a capital do reino. Sob o domínio dos cruzados, sinagogas foram destruídas, velhas igrejas foram reconstruídas e mesquitas transformadas em templos cristãos. Os cruzados dominaram Jerusalém até 1187, quando a Cidade foi conquistada por Saladino, o Curdo.

Os mamelucos - aristocracia militar feudal do Egito - governaram Jerusalém a partir de 1250. Eles reconstruíram numerosos edifícios, mas viam a cidade somente como um centro teológico muçulmano e, com negligência e impostos exorbitantes levaram-na à ruína econômica.


Os turcos otomanos, cujo domínio prolongou-se por 4 séculos, conquistaram a cidade em 1517. Suleiman, o magnífico, reconstruiu as muralhas (1537), construiu o reservatório do Sultão e instalou fontes públicas por toda a Cidade. Após sua morte, as autoridades centrais em Constantinopla demonstraram pouco interesse por Jerusalém. Durante os séculos XVII e XVIII, ela viveu um de seus piores períodos de decadência.


Jerusalém tornou a prosperar a partir da segunda metade do século XIX, com o crescente número de judeus que retornavam à sua pátria ancestral, o declínio do Império Otomano e o interesse renovado da Europa pela Terra Santa.


O exército britânico, comandado pelo general Allenby, conquistou Jerusalém em 1917. Entre 1922 e 1948 ela foi a sede administrativa das autoridades britânicas na Terra de Israel (Palestina), que fora entregue à Grã-Bretanha pela Liga das Nações após o desmantelamento do Império Otomano, no fim da Primeira Guerra Mundial. A cidade se desenvolveu rapidamente, crescendo rumo ao oeste, o que ficou conhecido como a "Cidade Nova".



Com o término do mandato Britânico em 14 de maio e com a resolução da ONU de 29 de novembro de 1947, Israel proclamou sua independência e Jerusalém tornou-se a capital do país.

Opondo-se ao estabelecimento do novo Estado, os países árabes lançaram-se num ataque de várias frentes, que resultou na Guerra da Independência, de 1948 a 1949. As linhas de armistício, traçadas ao final da guerra, dividiram Jerusalém em duas partes: a cidade Velha e áreas ao norte e ao sul sob domínio da Jordânia, e Israel com o controle das partes ocidental e sudoeste da cidade.

Jerusalém foi reunificada em junho de 1967, como resultado de uma guerra na qual a Jordânia tentou se apoderar da parte ocidental da cidade. O quarteirão judeu da Cidade Velha, destruído sob o domínio jordaniano, foi restaurado e os israelenses puderam de novo visitar seus lugares santos, o que lhes tinha sido negado desde 1948.

Sob o domínio israelense, nenhum esforço tem sido poupado no sentido de manter viva sua herança física e espiritual, e de serem preservados as marcas tangíveis do seu passado.



Publicado em Visão Judaica 79, maio de 2009.
Traduzido e adaptado por Jane B. de Glasman do site do
Ministério de Relações Exteriores de Israel Ministry of Foreign Affairs
 www.israel-mfa.gov.il

 

 


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