Ano 12 - Semana 561

 


  26 de setembro, 2009
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A Gripe Suína no Talmud


Jane Bichmacher de Glasman


A gripe suína é conhecida há muito tempo, como sugere o texto do Talmud Bavli, Tratado Taanit,
página 21 coluna b:
 

 

“Rabi Iehuda[1] foi informado sobre uma peste entre os suínos. Ele decretou um jejum[2]. O raciocínio de Rav Iehuda é que uma peste numa espécie pode se espalhar para outras? (A Guemará conclui:) O trato digestivo de um porco se assemelha[3] ao do ser humano[4].”
O comentário de Tossafot é um pouco diferente: Rabi Iehudá achava que a doença passaria dos porcos aos não-judeus, e destes aos judeus.
Meiri (comentário do século XIII sobre o Talmud) acrescenta que como tanto porcos quanto seres humanos carecem de rúmen[5], havia razão em temer que epidemias que afetem porcos também possam afetar seres humanos.
Como vemos, o Talmud ainda é uma caixa de surpresas...

 


Notas

[1] Rabi Iehudá bar Iehezkel foi um dos mais importantes discípulos do Rav (Aba Aricha), que inclusive o designou como professor pessoal de seu filho, Rabi Chia. Sempre que o Rav fazia uma viagem em prol da comunidade, levava consigo Rabi Iehuda, para discutir com ele aspectos profundos da Torá.  Rabi Iehudá também possuía uma memória brilhante. Após a morte do Rav, foi estudar em Nehardea, com Samuel. Ele fundou a Academia de Pumpedita. Exarou centenas de leis do Talmud, em nome de seus mestres. 

[2] Ordenavam-se jejuns em tempos de perigo, embora os judeus não parecessem afetados no caso.
[3] Pois ambos não possuem o rúmen, estômago dos ruminantes.
[4] Indicando que uma ameaça à saúde do animal e também uma ameaça à saúde do homem e este era o temor de Rav Iehuda.
[5] Primeiro estômago dos ruminantes.

 

 

Jane Bichmacher de Glasman, Doutora em Língua Hebraica, Literaturas e Cultura Judaica - USP,
Professora Adjunta, Fundadora e ex-Diretora do Programa de Estudos Judaicos UERJ
e do Setor de Hebraico UFRJ (aposentada) e UERJ, escritora

 





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