Ano 20 - Semana 1.004

 



 

Outros artigos sobre
Sucot

Hag Sameach!
 

Celebrando a colheita.

Qual é o significado de Sucot e como é celebrada?

Sucot e Shemini Atseret


 

1º de novembrobro, 2016
-
Shemini Atséret
e
Simchát Torá




Shemini Atséret
é uma festa à parte de Sucot. Rashi, o grande comentarista Bíblico, explica que Atséret é uma expressão de afeição, como seria a usada por um pai ao se despedir de seu filho. O pai diria: "Sua partida é difícil para mim; fique mais um dia!" Depois que o Povo Judeu rezou pela vida e felicidade das 70 nações do mundo, a Torá e o Criador nos dão mais um dia de festa para podermos fazer nossos próprios pedidos.

Simchát Torá é onde celebramos o encerramento do ciclo anual de leitura da Torá e seu reinício imediato. A noite e a manhã são preenchidas com danças e músicas ao redor da Torá. Lemos a última porção semanal em Devarim, Vezót HaBerachá, e começamos imediatamente a leitura de Bereshit, iniciando o livro Gênesis.

Yzkor é a oração em memória de parentes falecidos.


Em conexão com a festa de Shemini Atsêret (o Oitavo Dia de Assembléia), nossos Sábios nos contam uma bela parábola:

Um rei certa vez promoveu uma grande festa e convidou príncipes e princesas a quem apreciava muito para seu palácio. Tendo passado vários dias juntos, os hóspedes prepararam-se para ir embora. Porém o rei lhes disse: "Peço-lhe, fiquem mais um dia comigo, é difícil ficar longe de vocês!"

Assim acontece conosco, nossos Sábios concluem a parábola. Passamos muitos dias felizes na sinagoga. D'us deseja nos ver por mais um dia na sinagoga, e por isso Ele nos concede uma festa adicional - Shemini Atséret.

Em algumas congregações é costume fazer Hacafot (danças com a Torá) na noite de Shemini Atséret, assim como na noite de Simchat Torá.

Ainda fazemos nossas refeições na sucá em Shemini Atséret, embora sem a bênção Leshev Basucá.

Sucot é a Festa da Colheita quando a produção dos campos era colhida e o dízimo era separado, de acordo com o mandamento da Torá, e dado aos levitas e aos pobres. A leitura da Torá no Serviço Matinal de Shemini Atséret fala do mandamento de dar o dízimo.

O serviço de Mussaf, Prece Adicional, é assinalado pela prece especial com pedidos para que haja chuva.

Leis e Costumes:

É a prática em muitas comunidades – e este é o costume Chabad – conduzir "hacafot" e dança com os Rolos de Torá também na véspera de Shemini Atséret. Na prece de Mussaf começamos a inserir a frase "mashiv haruach umorid hageshem" ("quem faz o vento soprar e traz a chuva") nas nossas preces diárias (como continuaremos a fazer durante o inverno, até o 1º dia de Pêssach).

Hinos especiais sobre a chuva e a água são acrescentados à Mussaf em honra da ocasião.
Yizcor é recitado após a leitura da Torá.

Hacafot
Após Arvit, Prece Noturna, e o kidush, prece sobre o vinho, faz-se as Hacafot (danças com a Torá), recitando-se preces especiais e tirando-se da Arca todos os Rolos da Torá, que então passam a ser carregados ao redor da Bimá (mesa onde é colocada a Torá para a leitura) em sete voltas.

Todos recebem a honra de carregar a Torá. As crianças juntam-se também à celebração e diversão, e acompanham a "coreografia" ao redor da Bimá carregando bandeirolas de Simchat Torá.

As Hacafot são repetidas novamente durante o Serviço Matinal, com o mesmo grau de alegria.

Simchat Torá


União e igualdade de direitos são temas-chave de Shemini Atsêret e Simchat Torá, datas nas quais nos alegramos com a Torá.

A melhor maneira de celebrar Simchat Torá seria dedicar os dois dias à leitura da Torá. Mas é justamente o contrário que ocorre. Todos os judeus, sem exceção, pegam a Torá fechada e dançam com ela nos braços.

O ato encerra uma grande lição: se os festejos fossem realizados com a Torá aberta, com sua leitura, haveria distinções entre um judeu e outro, pois a compreensão e o conhecimento de cada um são diferentes. Com a Torá fechada, mostramos a união e a igualdade de todos os judeus, unidos pela mesma alegria. O texto não é lido, mas todos sabem que é algo precioso e, por isso, dançam juntos e em total alegria.

Leis e Costumes:

Hacafot
O alegre clima de Simchat Torá são as hakafot, danças em círculos (lit. círculos, durante as quais dançamos e cantamos segurando os Rolos da Torá.1 Nas palavras de um mestre chassídico: “Em Simchat Torá os Rolos de Torá querem dançar, portanto nos tornamos seus pés.”

As hacafot são memoráveis, certamente um dos pontos altos do Calendário Judaico. É um evento apropriado também para crianças; elas não devem ser deixadas em casa! E você vai querer ‘estacionar’ aqueles sapatos formais desconfortáveis ao participar desta festa; os calçados confortáveis (embora devam ser elegantes em honra à festa) são mais adequados para esta ocasião.

Os mestres chassídicos explicam que as Torot são enroladas fechadas e envoltas nos mantos de veludo durante as hakafot. Não celebramos nos sentando e estudando as palavras sagradas da Torá. Isso porque a celebração abrange cada judeu, não importa seu nível de erudição ou capacidade para compreender e interpretar as palavras da Torá. A Torá é o legado de todo judeu – o bebê de um dia é tão conectado com a Torá como o venerado sábio – e todo judeu tem o mesmo direito de celebrar este dia tão alegre e especial.

Passo a passo


As hakafot são celebradas na véspera de Simchat Torá e novamente na manhã seguinte. Nas comunidades chassídicas, hakafot são também conduzidas na véspera de Shemini Atseret.2 As hakafot da noite seguem a amidá das preces da noite festiva; e as da manhã precedem imediatamente a leitura da parashá final da Torá.

Antes de começar a dança, um conjunto de dezessete versículos, chamado Atá Há’raita, é cantado três vezes. Tradicionalmente, membros da congregação são homenageados liderando a congregação na recitação desses versículos; em sinagogas onde há muito mais congregantes que versículos, é costume “leiloar” as homenagens, com a renda sendo destinada para tsedacá, caridade.

Após o término da Atá Há’raita, é costume Chabad, instituído pelo Rebe, cantar o seguinte versículo (Bereshit 28:14): “E tua semente será como o pó da terra, e ganharás força a oeste e leste, a norte e a sul; e através de ti serão abençoadas todas as famílias da terra e através da tua semente.”3

Todos os Rolos de Torá são então retirados da Arca.4 Segundo o Zohar, as coroas da Torá não devem ser retiradas, mas sim permanecer nos rolos durante toda a dança. Membros da congregação são homenageados com o direito de segurar os rolos (um Rolo de Torá deve ser sempre segurado sobre o ombro direito), e o líder leva a procissão ao redor da bimá (mesa de leitura da Torá), enquanto entoa preces breves implorando sucesso e liberdade a D'us, com a congregação respondendo de acordo. Isso é seguido por cantos e danças, com os Rolos da Torá geralmente sendo passados de pessoa em pessoa, permitindo que todos tenham a chance de ser “os pés da Torá”. As crianças, também, tomam parte nesta alegria, tradicionalmente dançando com bandeiras especiais de Simchat Torá, e com frequência recebem o privilégio de assistir às danças sentadas nos ombros de seu pai.

Este procedimento é seguido sete vezes – sete hakafot. Após cada hakafá (termo no singular) o gabai da sinagoga anuncia: “Ad kan hakafá…” (“Chegamos à conclusão da hakafá número x”); os Rolos de Torá então são devolvidos à Arca, e começa a próxima hakafá (geralmente com um grupo diferente de pessoas segurando as Torot, e com uma nova pessoa líderando o grupo).

O procedimento para as hakafot na manhã de Simchat Torá é ligeiramente diferente. Segundo o costume Chabad, são feitos três circuitos e meio ao redor da bimá, com as preces para cada hakafá sendo recitadas no decorrer da metade de um circuito. Todas as sete hakafot são realizadas em sucessão sem ser interrompidas (o gabai não anuncia “Ad kan…”), e então são seguidos por uma sessão prolongada de cantos e danças com a Torá.

Notas


1 – Embora o ideal seja que as hakafot sejam realizadas com um minyan (quorum de dez homens adultos), este não é um pré-requisito necessário; todas as hakafot podem ser realizadas mesmo na ausência de um minyan.

2 – Em algumas comunidades chassídicas, também são realizadas hakafot no dia de Shemini Atseret. Este, porém, é um costume relativamente incomum.

3 – Em Simchat Torá de um Ano Hakhel, é costume cantar o seguinte versículo (Yirmiyahu 31:7): “Vejam, eu os trarei da terra do norte e os reunirei dos cantos mais longínquos da terra, os cegos e os mancos dentre eles, as mulheres grávidas e aquela que deu à luz todos juntos; uma grande congregação retornará aqui.”

4 – Em algumas comunidades, é costume colocar uma vela acesa na Arca aberta durante as hakafot. Este, no entanto, não é o costume Chabad.


Leitura da Torá

Em Simchat Torá ("Júbilo da Torá") concluímos, e recomeçamos o ciclo anual de leitura da Torá. O evento é marcado com muita alegria, e "hacafot", feita na véspera e na manhã de Simchat Torá, na qual dançamos com os Rolos de Torá ao redor da bimá. Durante a leitura de hoje da Torá, todos, incluindo crianças abaixo da idade de bar-mitsvá, são chamados à Torá; assim a leitura é feita inúmeras vezes, para que todos recitem a bênção sobre a Torá neste dia.

Vzot Haberachah (Deut. 33-34)
Três rolos são tirados da Arca para leitura. No primeiro, a última porção da Torá - Vezot Haberachá - é lida e relida muitas vezes, até que todos tenham sido chamados à Torá. Então meninos que ainda não tem Bar-mitsvá (não completaram treze anos) são chamados à Torá juntamente com um membro destacado da sinagoga. Em seguida a bênção "Hamalach hagoel" (O Anjo que redime) com a qual Yaacov (Jacó), abençoou os filhos de Yossef (José), é pronunciada em nome dos meninos.

Para a porção de encerramento chama-se alguém de destaque que recebe a denominação de "Noivo da Torá". Outro membro é então convocado para a primeira porção de Bereshit, que é lida no segundo Rolo da Torá e é denominado "Noivo de Bereshit".

Finalmente o Maftir, trecho dos profetas que acompanha a leitura da Torá, é lido no terceiro Rolo da Torá. Dessa maneira, a leitura da Torá prossegue porção por porção durante o ano todo, durante todas as épocas, em um eterno ciclo que quando parece se encerrar, logo depois recomeça ininterruptamente.

Isto mostra que não há fim na Torá, que deve ser lida e estudada constantemente, mais e mais, pois a Torá, como o próprio D'us que a deu para nós, é imorredoura. Cumprindo-a, nosso povo forma o terceiro elo na eterna união entre D'us, a Torá e Israel.

Extraído de Beit Shabad





Direção
IRENE SERRA
irene@riototal.com.br