Ano 21 - Semana 1.093




 




16 de setembro, 2018

Iom Kipur



Jane Bishmacher de Glasman

Iom Kipur, Dia da Expiação ou do Perdão, 10º dia de Tishrei, marca a culminância dos 10 Dias de Penitência e é considerado um dos pontos máximos do calendário judaico. O jejum e a abstenção de todo prazer físico são uma expressão extrema da intenção de submeter a natureza material ao domínio do espírito. Embora sejam dias solenes, não são tristes, pois em Iom Kipur recebe-se o presente mais sublime de Deus: Seu perdão. Quando uma pessoa perdoa outra, é por causa de um profundo senso de amizade e amor, que não leva em conta o efeito de qualquer coisa errada que tenha sido feita. O perdão de Deus é uma expressão de seu amor incondicional. Quanto mais plenamente demonstrarmos nossa união essencial agindo com amor e amizade entre nós mesmos, mais plenamente o amor de Deus se revelará.

Iom Kipur enfatiza os seguintes ensinamentos do judaísmo:
1. O pecado é uma fraqueza do homem e está sempre sob seu domínio, caso o homem deseje dominá-lo; não é obra de poderes malignos que tramam a decadência do homem.
2. O homem tem certeza de que seu Pai o receberá sempre bem e perdoará seus pecados, se ele realmente se arrepender.
3. Não existe nenhum intermediário entre Deus e o homem. Para que o homem seja perdoado basta que ele realmente se arrependa e se proponha a levar uma nova vida.
4. Deve-se pedir perdão ao próximo antes de pedir a Deus.
Teshuvá - Tefilá - Tzedaká

O credo judaico não reconhece o dogma do pecado original, pois considera o homem bom e puro por natureza e livre: Deus põe em suas mãos os meios de renovar-se sempre e indica os caminhos que levam à graça: teshuvá, tefilá e tzedaká.

Teshuvá - implica arrependimento, regresso. Não existe erro ou pecado que não possa se cancelar através da Teshuvá. Consiste em 3 etapas:
1. Hakarat há’het = reconhecimento do erro;
2. Teshuvá = o arrependimento;
3. Azivat há’het = não voltar a cometer o mesmo erro.
Tefilá = reza, oração.
Tzedaká = significa, ao mesmo tempo, justiça e caridade, porque no exercício da caridade realiza-se a justiça.


Leis e costumes de Iom Kipur
 
1. No dia anterior a Iom Kipur, pela manhã, faz-se a cerimônia de kaparot, com um galo ou galinha.

2. Deve-se comer bem na véspera de Iom Kipur, assim como jejuar no dia seguinte. Ao entardecer, faz-se a última refeição, que deve ser de fácil digestão como carne de aves, que deve ser concluída antes do anoitecer.

3. É proibido comer, beber, lavar-se, barbear-se, calçar sapatos de couro, perfumar-se, etc.

4. Em Iom Kipur celebram-se serviços em memória dos mortos (Yzkor). Costuma-se realizar o Yzkor no último dia de cada Iom Tov (Pessah, Shavuot, Shemini Atseret). Porém em Iom Kipur é especial. Mesmo os que normalmente não freqüentam a sinagoga fazem questão de ir. Eles vêm relembrar as almas de seus queridos pais (ou avós ou outros parentes), que já se encontram no Olam haEmet (Mundo da Verdade). Geralmente essas orações são feitas mais ou menos no meio de Iom Kipur.

5. A oração que inicia os serviços de Iom Kipur é o Kol Nidrei. O fim do jejum e do Iom Kipur é marcado pelo toque do shofar após a Tefilá Nehilá.

6. Na oração min’há, além da leitura da Torá, lê-se o livro de Jonas, devido ao relato da teshuvá do povo em Nínive e para relembrar que os homens podem mudar seu destino e o Julgamento Divino através de uma Teshuvá sincera.

7. Em Iom Kipur fala-se o Vidui (confissão). Todos recitam juntos, pois considera-se que todos os judeus formam uma unidade, um só corpo. Assim, quando uma pessoa comete um pecado, o corpo inteiro é afetado. Da mesma forma, quando alguém faz uma mitzvá, traz benefício para o povo como um todo. O vidui é como um reconhecimento do erro e uma expressão de remorso, como se disséssemos que não deveríamos ter cometido esta falha.

8. Ao findar Iom Kipur faz-se com uma refeição familiar festiva.

9. Imediatamente após o término de Iom Kipur começa-se a construir a Sucá.


TEXTO EXTRAÍDO DE “À LUZ DA MENORÁ: INTRODUÇÃO À CULTURA JUDAICA”,
DE JANE BICHMACHER DE GLASMAN, ED. DA AUTORA, GRÁFICA STAMPA, 1999 (direitos autorais protegidos)


 


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