PERSONALIDADES

      
Frances Kraft

        
Etíope que fez ‘aliáh’ para Israel está estudando
para se tornar um rabino conservador

        

Toronto - Yafete Alemu, quando fugiu da Etiópia em 1982 enfrentou com bravura animais selvagens no deserto, mas o que o assusta hoje são as divisões na sociedade israelense.

Há muito tempo um ativista comunitário e co-fundador da Asa Sul para Sion (um grupo dissidente da Organização de Cúpula dos Etíopes em Israel), ele esteve envolvido em trazer 14.000 judeus etíopes para Israel. Hoje vivem em Israel mais de 70.000 etíopes, a metade com idade abaixo dos 18 anos.

Alemu, que vive em Jerusalém, é o primeiro etíope que fez ‘aliáh’ para Israel a estudar para se tornar rabino conservador. Ele espera poder reparar algumas dessas divisões sociais, especialmente para a juventude etíope, fundando um instituto chamado Midreshet L’Yahadut Ethiopia ( Instituto para os Judeus Etíopes), logo após sua ordenação no próximo ano.

Alemu, um homem afável, beirando seus 40 anos foi trazido recentemente para Toronto pela Federação UJA para falar para grupos comunitários, escolas judaicas e sinagogas. Em seus 90 minutos de entrevista, ele falou sobre os problemas enfrentadas pelos etíopes e relatou sua fuga da Etiópia, uma estória dramática e sagaz.

Quando ainda era adolescente, Alemu estudava a bíblia com um kes (líder espiritual judeu etíope), planejando se tornar um dia, ele mesmo um kes. Vivendo em uma vila judaica, a 1.000 Km de Addis Abeba, Alemu e sua família levavam um estilo de vida nos moldes bíblicos.

Entre as práticas judaicas, ele se recorda que, quando uma mulher estava menstruada, deveria ficar por sete dias em uma "cabana especial", assim como pessoas que tivessem tocado em um corpo morto deveriam "sentar fora de casa" sete dias, para depois imergir no rio e se purificar.

Como a comunidade esteve isolada dos outros judeus desde a época anterior ao Segundo Templo, eles não sabem nada sobre o Talmud e a midrash. Alemu disse que está agradecido de poder agora aprender sobre eles.

A kipá de croché em sua cabeça é um sinal óbvio da sua evolução religiosa.Ele disse: "Nós viemos (para Israel) para continarmos sendo judeus", e continuou " Poderemos continuar sendo como eramos na Etiópia? Não. Nós temos que prosseguir com nosso judaísmo de uma maneira moderna".

Ao mesmo tempo, ele está profundamente preocupado com a juventude etíope, que se parece com " uma planta sem raiz". Ele disse que muitos abandonaram seu judaísmo e que se identificam mais com a cultura negra americana , do que com a cultura religiosa ou secular israelense.

Muitos recém-chegados estão estudando em lugares para jovens separados de suas famílias, e se tornando mais "israelenses", enquanto que a velha geração ( acima dos 40 anos) está tendo dificuldade em se adaptar.

Após 15 anos em Israel e tendo servido no IDF, Alemu se considera como "qualquer outro israelense".

Tendo sido criado em uma família que praticava seus costumes religiosos abertamente, Alemu, ao contrário de muitos habitantes etíopes da cidade, nunca escondeu seus antecedentes judaicos.


Enviado por Leon M. Mayer
Tradução de Meriane Goldberg

 

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