PERSONALIDADES

           

Barenboim
vibra acordes pela paz

        
Em meio à execução de noturnos e valsas de Chopin, o maestro Daniel Barenboim, sentado na ponta da banqueta do piano, virou-se para o extasiado público e lhes dirigiu a palavra - comportamento esse que nunca assume no decorrer de um concerto.
O mundialmente renomado músico quebrou esse costume porque seus ouvintes eram palestinos e ele, um israelense, queria explicar-lhes porque viera apresentar-se a esse público especial.
Barenboim disse: "Não sou político de forma alguma, nem tenho respostas políticas a dar... senti porém a necessidade de praticar este gesto como indivíduo".

Barenboim, diretor musical da Orquestra Sinfônica de Chicago e diretor artístico da Ópera de Berlim, apresentou-se num modesto salão da Universidade Bir Zeit, situada na Margem Oriental, ante um auditório superlotado com 500 palestinos. Entre respeitosa atenção, rosas, ovações de pé e gritos de "bravo", eles abraçavam o regente pianista deleitados tanto com sua música como com sua mensagem.
"Sua vinda aqui demonstra que ele tem simpatia pela nossa causa. É um belo gesto e nós o estimamos muito por isso", disse Nadia Abboushi, professora de piano de Ramalá.

A apresentação também atraiu o diretor musical da Osquestra Filarmônica de Israel, Zubin Mehta. "Quando entrei no salão, tinha lágrimas nos olhos, mal podia acreditar que me encontrava aqui", disse. Mehta declarou que seguir o exemplo de Barenboim e trazer a Orquestra Filarmônica à Margem Oriental "seria um sonho".

Barenboim, nascido na Argentina, disse que esperava influenciar outros artistas israelenses a se apresentarem ante audiências palestinas.
"Sei que a música não reparará injustiças, sofrimentos ou impaciência, mas é a linguagem que fala ao coração e à mente e ambas são importantes", sentenciou.

Barenboim compartilhou o palco com Saleem Abboud, um pianista árabe de Nazaré, para um dueto de Schubert. Eles balançavam os corpos, pontuando os sons com emoção, à medida que as mãos deslizavam pelo teclado. Com mechas de cabelo, cabelos brancos, deu-lhe pancadinhas de congratulações nas costas, tomou-lhe as mãos, entre as suas e ambos ergueram os braços em triunfo. A assistência sorria muito e, de pé, ovacionou a dupla.

Abboud, que está estudando na Academia Real de Música de Londres, disse que se sentia venturoso de tocar com Barenboim. E completou: "As pessoas aqui lutam todos os dias para terem uma vida normal e isto aqui é como uma flor em suas vidas".

Barenboim disse que estava igualmente comovido. "Eu não sabia o que esperar, porém qualquer dúvida que tinha desvaneceu-se em segundos, houve muito calor humano, exultou.


Fonte:"The Jerusalem Post"
Enviado por Leon M. Mayer
Presidente da Loja Albert Einstein da B'nai B´rith do RJ

 

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