PERSONALIDADES

           

Gracia Mendes

       

Gracia Mendes (1510/1569), foi uma das grandes mulheres de valor na História Judaica do século XVI. Nasceu em Portugal em uma família de cristãos-novos, isto é, de judeus que por alguma razão se submeteram à conversão ao catolicismo. Casou-se e aos vinte e seis anos ficou viúva e teve que cuidar da sua família. Estabeleceu-se em Antuérpia (Países-Baixos), onde retornou ao Judaísmo e, posteriormente, mudou-se para Ferrara, na Península Itálica. Lá comandou uma ferrovia subterrânea, nome este dado para designar um movimento que visava ajudar a fuga de cristãos-novos da Espanha e Portugal, bem como suas posses para lugares onde pudessem se estabelecer para viver e trabalhar como judeus.

Mais tarde mudou-se para Constantinopla, onde tornou-se uma das maiores empresárias no comércio marítimo. Em pouco tempo, Gracia Mendes tornou-se uma proeminente personalidade judaica e a maior patrocinadora dos estudos judaicos da sua comunidade. Assim como diz o Livro dos Provérbios ela abre a sua palma para os pobres e estende suas mãos para os despojados alimentando todos os dias cerca de oitenta pobres em sua própria residência.

Quando os judeus de Ancona (Península Itálica) foram aprisionados e até mesmo mortos por estrangulamento e queimados vivos pelas autoridades da Inquisição da Igreja, apesar do Papa da época prometer protegê-los, Gracia Mendes convenceu o Sultão de Constantinopla a intervir a favor destes judeus. Apoiada pelo Rabino Joseph Caro (autor do Shulchan Aruch) ela liderou um esforço internacional para boicotar Ancona. Apesar de tudo o boicote fracassou, mas Gracia Mendes tornou-se um exemplo a ser seguido pelas futuras gerações de judeus em favor de seus irmãos perseguidos.

 


Enviado por Leon M. Mayer
Presidente da Loja Albert Einstein da B'nai B´rith do RJ

 

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